No verão de 2013 estive em Calafate na Patagônia argentina e a programação não deixou espaço para explorar a região que para qualquer lado que se olhasse dava vontade de seguir. Na praia, naquele calor insuportável seguido de frequentes alagamentos, não tive outra alternativa, a fuga para lugar de paisagens tão diferentes, naquele clima hóstil, mas que compensaria ver aquele trabalho feito pela natureza com um capricho de enlouquecer qualquer um. Desci do avião desta vez em Punta Arenas em 2014, apenas pernoitei, parti no dia seguinte para Puerto Natales capital da província de Última Esperanza na região de Magalhães e também chamada de antártica Chilena. Foram percorridos 247 km em excelente ônibus com uma estrada invejável, sem contar que era só nossa. Ali me encontrava em Última Esperanza, nome dado pelos ingleses que fascinados pela região e pela semelhança climática com a Inglaterra partiram para a criação de ovelhas. A hostilidade climática os deixou por longa data abandonados pelos chilenos e assim formavam uma "colônia independente". A região que contava com bosques de lengas, um arbusto de excelente madeira, foi quase dizimada para formação de pastos, pertencente a família das Nhotofagaceace, de lenha branca e segundo informação uma madeira nobre. Fiquei já da primeira vez, na Argentina, apaixonada pelas lengas que mudavam de cor passando do verde escuro para o amarelo e apareciam os primeiros ramos pintados de vermelho. No dia seguinte parti para um tour para conhecer Torre del Paine, mas antes visitamos "La cueva del Milodon" que fica a 24 km dali. La cueva (gruta) mede 200m de profundidade, 80m de largura por 30m de altura, está de frente para Sul e para os picos gelados muito próximo o que deixa o local muito frio. Foi descoberta em 1896, por Hermann Eberhard, um explorador alemão, junto do cerro Benitez com uma formação rochosa chamada Silla del diabo (Cadeira do Diabo). Esta gruta pelas condições climáticas não foi habitada pelo homem em época nenhuma, mas serviu para aprisionar animais para facilitar a captura. O animal que habitou o local e redondesas era de um tamanho colossal e pode ter habitado entre 13.500 até cerca de 5.000 atrás. A presença humana é datada de 6.000 a.C. como caçador.O Mylodon Darwini Owen era um mamífero que pesava 3 toneladas e a extinção pode ter sido através de mudanças climáticas que afetaram a vegetação, por erupções vulcânicas ou ainda pela caça. Belo caminho, de 250m, com plantas silvestres com flores brancas, percorri até a entrada da gruta e no alto das árvores se pode avistar muito mal um zorro (raposinha), mas tive a felicidade de poder encontrá-los novamente nas proximidades do Canal de Magalhães e assim sem assustá-lo saiu uma tímida foto. No mesmo local pode-se ler e ver as réplicas lá dentro do bichinho e lá fora de mais uns quatro animais que habitaram a Patagônia e entre eles o "cavalo sul americano", todos extintos, no final do Pleistoceno, da era Quaternária e final das eras do gelo e provável desaparecimento destes animais.
"Memória ...Através delas daremos livros, livros a-mão-cheias, a todo o povo. O livro, bem sabemos, é o tijolo com que se constrói o espírito. Fazê-lo acessível é multiplicar tanto os herdeiros quanto os enriquecedores do patrimônio literário, científico e humanístico, que é, talvez, o bem maior da cultura humana". Darcy Ribeiro
quinta-feira, 15 de maio de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
MEXENDO COM LIVROS: VERSÃO DA CARTA DA TERRA
MEXENDO COM LIVROS: VERSÃO DA CARTA DA TERRA: Segue abaixo a versão da Carta apresentada no Fórum Rio+5, em 1997 de forma solidária entre todos e com a comunidade da vida, nós, os pov...
domingo, 13 de abril de 2014
MEXENDO COM LIVROS: TATURANA DOS CITRUS - JÚLIO DE CASTILHOS/RS/BRASIL...
MEXENDO COM LIVROS: TATURANA DOS CITRUS - JÚLIO DE CASTILHOS/RS/BRASIL...: Após colher sete laranjas, na oitava eu puxei com força a última e tive a impressão que o galho havia me machucado a mão me ferindo com...
TATURANA DOS CITRUS - JÚLIO DE CASTILHOS/RS/BRASIL
Após colher sete laranjas, na oitava eu puxei com força a última e tive a impressão que o galho havia me machucado a mão me ferindo com um espinho, mas não furou a pele. Menos de cinco minutos depois de passado o incidente eu gritava de dor. Coloquei Nebacetin, tirei e coloquei gelo. Coloquei a mão de molho em uma caneca com água e gelo, parei de gritar. A Elisete que auxilia nos serviços domésticos e busca a minha neta na escola foi até a laranjeira, assim se passaram cinco horas do acontecido e lá estavam as lagartas. Liguei para 0800 780 200 ou outro número e pediram-me que levasse o bicho junto comigo ou batesse uma foto e fosse para o hospital. Pode ainda ligar nestes casos para a Polícia que age mais rápido. Mesmo com muita dor, dirigi e sem saber onde ficava, cheguei lá. Para quem está na região central e suspeitar de ser queimado por uma taturana (com pelos em forma de árvore de Natal) procure o Hospital Vicente de Paula em Passo Fundo, onde irá receber o tratamento com o soro da lagarta. Felizmente eu denominei o meu bichinho de parente da taturana, porque me levou para a emergência do Hospital de Júlio de Castilhos e lá o médico descartou a possibilidade de ser uma taturana e receitou um remédio para o alívio da dor. Mesmo depois de medicada e com o dedo muito inchado e vermelho coloquei alcool, senti que absorveu, fritou. Aqueci na chama do fogão e duas horas depois a sensação de melhora começou aparecer.
sábado, 12 de abril de 2014
MEXENDO COM LIVROS: MAR DE ARAL - "nem mel, nem porongo"
MEXENDO COM LIVROS: MAR DE ARAL - "nem mel, nem porongo": Antes de 1930 havia um lago chamado Aral, a sua grandeza era de 690.000 km² e com uma profundidade que chegava em alguns pontos 45 metros...
quinta-feira, 10 de abril de 2014
MEXENDO COM LIVROS: OS NEPHILINS DO FILME NOÉ
MEXENDO COM LIVROS: OS NEPHILINS DO FILME NOÉ: OBRA ABERTA - Umberto Eco Não vi o filme "NOÉ", mas estou vendo a polêmica já sentenciada por mim sobre a verossimilhança e ...
OS NEPHILINS DO FILME NOÉ
OBRA ABERTA - Umberto Eco
Não vi o filme "NOÉ", mas estou vendo a polêmica já sentenciada por mim sobre a verossimilhança e a mitologia que entram em conflito por aqueles que segundo Humberto Eco ler as Sagradas Escrituras há um limite para o entendimento. Para Eco "no medievo desenvolveu-se uma teoria do alegorismo que prevê a possibilidade de se ler a Sagrada Escritura". Ela pode ser lida ao pé da letra ou no sentido literal e neste momento eu vejo a confusão feita pelo leitor ou pelo pregador. Assim a palavra Nephilin pode significar na língua hebraica "os caídos" e em grego "os gigantes" ou outra completamente diferente. Duas narrativas falando da criação do mundo, uma dizia que o mundo foi criado em um único dia e outra dizia que foi em seis dias. Resumo: juntou-se as duas e ficou sete dias e sete noites. Portanto temos que ter cautela. Corre-se o risco de se fazer uma sopa de letrinhas. Temos a interpretação anagógica ou aquele que interpreta estar em estado de anagogia, em êxtase. Eco fala de alegoria que nos remete a um sentido fantasioso, um homem criado com redenção por Cristo e finalmente no sentido moral, significando "a conversão da alma, a da miséria do pecado ao estado de graça." Para explicar estes quatro momentos, Eco citou Dante, São Paulo, São Jerônimo, Santo Agostinho e outros. (p. 42 e 43)
Assunto relacionado: Esqueleto Humano Gigante
segunda-feira, 31 de março de 2014
MINHA CAIXA DE EMAIL - Y tú, hijo, no te destaques - Yoani Sánchez
De: Generación Y - Yoani Sánchez
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quarta-feira, 26 de março de 2014
MEXENDO COM LIVROS: MINHA AVÓ INÁCIA E OS LADINOS
MEXENDO COM LIVROS: MINHA AVÓ INÁCIA E OS LADINOS: Nós crescemos ouvindo os falares que começavam a ser estranhos aos nossos ouvidos e assim ríamos com as caipiradas dos mais velhos quand...
MINHA AVÓ INÁCIA E OS LADINOS
Nós crescemos ouvindo os falares que começavam a ser estranhos aos nossos ouvidos e assim ríamos com as caipiradas dos mais velhos quando empregavam palavras como "ladino" ou um "furdunço". Minha avó Inácia sempre me disse que era descendente de espanhóis. Era uma Farias Linhares e casou-se com o meu avó João Cardoso Duarte, que sabemos ser português. Esta semana está sendo notícia na Internet que uma lista de sobrenomes serão reconhecidos como sendo cidadãos espanhóis e lá está o Farias, o Cardoso, o Duarte entre inumeráveis nomes judeus que foram expulsos em 1492. Esta expulsão se deu através da cidade de Toledo, que havia sido tomada 200 anos antes, pelo comando de Tarik. Eram muçulmanos (árabes e berberes) que tomaram a cidade dos visigodos que foram empurrados para Córdoba. O começo desta invasão se deu em 718 através do estreito de Gibraltar e assim atigiram o meio da Europa. Estes judeus hebreus deram o nome da terra conquistada de Sefarad, e todos os descendentes passaram a se chamar sefardies ou sefarditas. Minha avó Inácia iria rir se fosse viva e talvés discordasse e num diálogo imagánario diria para mim: "O que sei, vocês são todos ladinos, mas não me anganam". Todos os sefardies eram os ladinos, foram eles que deixaram implantada na europa a "ciência", a ladineza tão necessária para as descobertas científicas de todas as naturezas. Parabéns Espanha, não me incomodo, pelo contrário me sinto orgulhosa por mais esta cidadania e por este reconhecimento.
Assunto relacionado: TOLEDO DE TODOS OS TEMPOS
quinta-feira, 13 de março de 2014
ASSIM CAMINHA OS DEUSES DESTE PLANETA
A aplicação prática desses princípios durante séculos tem como consequência um desequilíbrio cada vez maior do ambiente, com o envenenamento das águas, do ar, dos alimentos e, evidentemente, do próprio homem. O universo é todo harmônico, equilibrado, e a destruição de um de seus componentes, por mínimo que seja, nunca tem efeitos isolados. Quando se drena um banhado, matam-se milhões de seres, que servem de alimentos a outros seres e assim por diante. Com o desequilíbrio, surgem as pragas e, para combater as pragas, são necessários os venenos, em doses cada vez maiores"
(José Lutzenberger - Entrevista para o cooJORNAL Nº 10, novembro de 1976). Contribuição de Solange Borges que está no Facebook.
Esta ignorância do povo é UNIVERSAL, nós ocidentais criados a imagem e semelhança de deus e como deuses destruímos tudo: animais e toda a espécie de planta e comemos venenos. Vemos do lado oriental deuses comandando com as indústrias, com cidades crescendo em estuários de rios que viraram esgoto com embarcações entrando e saindo com cargas e mais cargas. Máscaras são fabricadas para uso dos asiáticos e a poluíção ameaça cruzar o Pacífico. Pequenos países são destruídos por poderosas nações porque tem minerais e assim caminham os deuses deste planeta.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
MEXENDO COM LIVROS: PAULO SANTANA - Voei com ele
MEXENDO COM LIVROS: PAULO SANTANA - Voei com ele: Aqui na capital do Chile, onde cheguei de Porto Alegre, com uma temperatura beirando os 40º graus, apenas uma manta me auxiliou no voo. J...
PAULO SANTANA - Voei com ele
Aqui na capital do Chile, onde cheguei de Porto Alegre, com uma temperatura beirando os 40º graus, apenas uma manta me auxiliou no voo. Já em Santiago depois de ouvir um "LineSantana" no aeroporto Santiago, achei um tanto estranho e continue sentana. Este nome não era estranho e ele de certa forma participou até da minha vida com suas crônicas e seu humor para cima de mim. Paulo Santiago, o nosso cronista diário da Zero Hora, salvou-me, de mais uma destas enrrascadas de aeroporto. Eu deveria embarcar para Punta Arenas num voo de Santana. Saudosista, fiquei pensando no nosso Santiago, no humor diário, na crônica esportiva ou apenas no cumprimento do seu labor com o envolvimento social. Levante-me de bilhete na mão e voei com Santana.
domingo, 12 de janeiro de 2014
MEXENDO COM LIVROS: FORA DO CONTEXTO - Jacques Lacan
MEXENDO COM LIVROS: FORA DO CONTEXTO - Jacques Lacan: O ANALISTA DO FUTURO Paris dorme às 3h da madrugada. Uma voz gaguejante atende ao telefonema que lhe ...
FORA DE CONTEXTO - Jacques Lacan
O ANALISTA DO FUTURO
Psicanálise
Paris dorme às 3h da madrugada. Uma voz gaguejante atende ao telefonema que lhe interompeu o melhor do sono:
__Alo.
__Alo, Richard
__Aloo.
__Alo, Martin Richard?
__Oui, qui l'est?
__C'est Lacan.
__Qui?
__Jacques Lacan.
__Docteur? Oui, bon jour.
__Ecuote, Richard, j'espère ne pas être trouble ... Je lis un travaille son de La lettre sur les aveugles (A carta sobre os cegos), de Diderot, j'apprécie beaucoup, et je voudrais discuter de certains points avec vous personnellement.
__Mas Avec le plus grand plaisir, docteur.
__Que Bon! Lorsque youcan (Quando você pode?)
__Lorsque vous voulez, docteur, dites-moi, je vais le trouver.
__Ah, Comme vous êtes gentil, Richard; vous attendent, puis au café du coin à Saint Michel de la jetée, dans les 30 minutes.
E desligou.
Martin Richard ficou com o telefone na mão, com pouco tempo para se decidir o que fazer. Não tinha coragem de ligar de volta para Lacan, eram 3h05 da manhã, não se fazia isso. Também não podia deixar o doutor - esperando sozinho no café.
Só teve tempo para vestir seu jeans e jaqueta, calçar seus tênis, pegar sua bolsa de livros, descer correndo as escadas, montar em sua bicicleta e aproveitar o leve declive do Boulevard Magenta para ganhar velocidade.
Entrou no café disfarçando a falta de ar e deparou com Lacan em uma mesa de canto, rodeado de papéis. Com o melhor dos seus sorrisos, o doutor lhe estendeu a mão, repetindo.
__Puxa, comme vous êtes gentil, Richard.
Jacques Lacan gostava de dizer que tinha 5anos. Aos 5 anos a pessoa tem um querer direto, sem intermediários, é diferente do querer querelante e reivindicativo dos 15 anos, e do querer conforme às regras do adulto. Mas vale um detalhe; ter 5 anos após uma análise, chegar aos 5 anos pelo convívio diário com o Real - conceito lacaniano que se refere a impossibilidade da nomeação total de seu desejo ("o que será que será que nunca tem nome e nunca terá?") - é diferente de ter por biologia ou retardo.
Desfazer ediçõesBibliografia:
O analista do futuro (2a. edição da revista memória da PSICANÁLISE)
Veja texto na integra de Jorge Forbes, p.14
O diálogo na íntegra encontra-se em português e a versão em francês é
de minha autoria.
O analista do futuro (2a. edição da revista memória da PSICANÁLISE)
Veja texto na integra de Jorge Forbes, p.14
O diálogo na íntegra encontra-se em português e a versão em francês é
de minha autoria.
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Psicanálise
sábado, 11 de janeiro de 2014
MEXENDO COM LIVROS: MINHA VÓ INÁCIA E AS BONECAS DANÇARINAS
MEXENDO COM LIVROS: MINHA VÓ INÁCIA E AS BONECAS DANÇARINAS: No baú de minha vó, havia bonecas dançarinas. Ela estava com uma idade bastante avançada e o vestido preto e o lenço também preto a fazia ...
MINHA VÓ INÁCIA E AS BONECAS DANÇARINAS
No baú de minha vó, havia bonecas dançarinas. Ela estava com uma idade bastante avançada e o vestido preto e o lenço também preto a fazia mais idosa ainda. Levantava depois de servido o café e ela mesma trazia os utensílios para ser lavados por minha mãe. Descia uma escada com degraus altos com ajuda de um bordão. Tinha que esperar o momento certo, para que ela quisesse abrir o encantado baú. Cuidadosa, minhas bonequinhas de louça desapareciam e eu levava um susto quando encontrava deitadinhas sobre as roupas dobradas no baú. Que bom! Pareciam novas e parecia Natal de novo. Quero falar das bonequinhas feitas por minha avó: foram feitas de forma que eu não sei explicar na sua totalidade, a saia de armação da dançarina, de apenas dez centímetros, era de cauda de cavalo que costurada numa cortiça formava um círculo perfeito. Sobre esta primeira armação vinha uma saia que a largura inferior coincidia com o círculo já confecionado. A parte superior era feito de pano branco e as meninas tinham cabeleira e pintadas de ruge. Uma blusinha completava a vestimenta. Meia dúzia de bonequinhas eram levadas com carinho e colocadas sobre a mesa do jantar e ali ela batia e elas deslizavam. Durante a minha vida não me deparei com outra pessoa que fizesse bonequinhas dançarinas, iguais as dá vó Inácia.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
MEXENDO COM LIVROS: MINHA AVÓ INÁCIA E O MAPINGUARI
MEXENDO COM LIVROS: MINHA AVÓ INÁCIA E O MAPINGUARI: Contava minha avó Inácia que quando morávamos em São João do Sul/SC/Brasil por volta de 1944, e meus pais tinham já os dois primeir...
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