segunda-feira, 29 de agosto de 2011

TRABALHADORES DO MAR - Victor Hugo

          A narativa se prende as lutas do homem, como religião, sociedade e a natureza.    Estas três lutas vem das três necessidades: crer, criar e viver.
        Tudo se passa na ilha de Guernesey (no arquipélago do canal da Mancha).
        Gilliat e Déruchette, os dois personagens criados para a partir daí travar a luta ora sob a superstição, ora sob o preconceito.
        As artes do diabo assustavam os pescadores do mar que se ajoelhavam diante do rochedo Ortoch. Ele inquietava muitas mulheres ortodoxas, que apareciam grávidas. Sendo procurado  por uma mulher o padre aconselhou, apalpe-lhe a cabeça, se encontrar pontas, pode estar certa, é o diabo.
        Gilliat cresceu e viveu na ilha com sua provável mãe que faleceu quando este era adolescente. Ninguém sabia exatamente o parentesco entre os dois e nem a origem. Ele era rústico, tornou-se feroz. Era solitário, isto causava espanto já que sua casa era mal-assombrada antes da vinda deles para a ilha.
        Passava a noite nos penhascos e tocava uma bagpipe (gaita escocesa). Não o achavam pobre, possuía uma casa e alguma terra. Perguntado por uma rapariga quando se casaria, respondeu-lhe: "Casar-me-ei quando se casar a Rocha que Canta".  Era uma pedra que inspirava desconfiança. Um galo invisível cantava próximo dela.
      O narrador aponta duas características diferentes para Gilliat: de um lado o diabo (pela esquisitice que ao mesmo tempo levava ao preconceito) por outro lado, o curandeiro (curava com ervas de sua propriedade, panarícios e febres,...)
      Tinha uma canoa e pescava nas horas de descanso.
      As raparigas o achavam feio. Talvez fosse bonito. Assemelhava-se a um bárbaro antigo e era tisnado pelo sol.
      As moças da ilha eram boas esterqueiras e por este motivo arrumavam casamento. Apanhavam os estercos de vaca e jogavam na parede para aquecimento das casas, com as mãos.
      Gilliat nasceu piloto. Piloto do mar. Comprou uma pança, bojuda e chata, tendo a bombordo e a estibordo duas asas que se batiam alternadamente, conforme o vento, e supriam a quilha. Era mastreado na frente o que aumentava a força de tração do velame. O mastro não impedia a carga. Era uma pança sólida, pesada e suportava bem o mar. Nenhum pescador conseguiu arribar o barco. Gilliat tentou: empurrou o remo e depois a grande escota e tantas outras manobras e fez-se ao largo em direção a barra. Um forte vento sul empurrou-a carregada de pedras e entrou em Saint Simpson.
      Pescava na pança e dava os peixes aos pobres. Era marceneiro, ferreiro, fabricante de carros (calafates), e um pouco mecânico. Possuia uma bigorna e uma pequena forja. Fez uma âncora e substituiu os pregos por   cavilhas, deixando-a em boas condições.
       Os antigos habitantes de Guernesey arrastados pela beleza da vista admiravam a beleza das rochas da ilha que talhadas pelo vento formavam figuras: a Cadeira de Gild Holm-Ur em francês Qui-Dort-Meurt (Quem-dorme-morre) tradução rústica.
        Gilliat sentava-se ali. Sonhava. A maré subia. Morria-se afogado naquele lugar. Até 1822, era uma novidade um navio no canal da Mancha. Franceses e ingleses se cruzavam. Se partiam: "Boa viagem!; se chegavam "Welcome". As  ilhas  do canal da mancha iam se fazendo  inglesas, mas a língua era a francesa " a velha língua do mar" para definir lados e peças do navio. O narrador chamou de língua autóctone. O francês das ilhas costumava empregar a expressão "peguei-te inglês" para um inglês que caía numa armadilha pelo canal.
         Aparece na narrativa dois marinheiros selvagens. O primeiro é Gilliat e o segundo é Lethierry. Sendo  este último, elegante, admirador de lindas mulheres de mãos alvas, adotou sua afilhada órfã, filha de um irmão que ele teve, a Déruchette. Esta cresceu e tornou-se exigente, provável herdeira do tio. Tocava no piano "Bonny Dundee". Gilliat executava a mesma canção na bagpipe, próximo a casa de Déruchette, nas noites escuras e sempre no mesmo horário e ela não gostava.
          Lethiery não era superticioso, não recuava nas tempestades. Possuia a Durande, um navio que lhe rendeu muito dinheiro, e pretendentes a Déruchette.
         Já cansado e sentindo-se velho, entregou a Durande ao capitão Clubin, homem que escondia, debaixo de um véu, um crime. Foi o primeiro a possuir um revólver na ilha causando alguma desconfiança.
     Cobrou uma conta para Lethierry, que considerava perdida. Eram 60.000 francos que Clubin ficava pensando em transformá-los em 600.000 francos quem sabe pela América. De passagem por alguns portos fez carregamento de bois, fardos, sabão, couro, chá e outros. Havia seis passageiros e sete tripulantes.
     A linha reta do mar nem sempre é a linha lógica. Os navios fazem um trajeto e o barco a vela outro. O mar e o vento fazem um composto de forças. O navio é um composto de máquinas. As forças são máquinas infinitas, as máquinas são forças limitadas. Trava-se um combate que se chama navegação. Cabe ao homem espreitar as forças e descobrir-lhe o itinerário. A Durande andava maravilhosamente bem.
     Clubin tinha um plano: fazia desaparecer o navio, atiraria-se ao mar,  uma hora a nado, só uma milha, estava no Hanois, próximo ao formidável rochedo, Douvres. Era medonho o recife ali isolado. O nevoeiro, os escondera. Eram gêmeas as rochas. Parecia perfeito para o plano, mas tinha os seus perigos. Um outro maciço próximo parecia próprio para galgá-lo. Chama-se Homem. Esta rocha era ainda mais alta que as Douvres e ficava a cinco léguas do navio. Para o náufrago, o impossível. A morte por frio. Os 60.000 francos de nada serviriam.Não era Hanois. Era a captura, agonia, o sepulcro. Poderíamos arriscar a dizer que era a justiça divina já que precisava pagar por um crime, dois.
     Soprava o vento. Os bois berravam no porão. A neblina cobrindo tudo, o céu que reaparecia e ficava noites em questões de segundos. Era o horror. Clubin tinha a força de um touro. O mar não podia com ele. Era sóbrio e frio. Parecia simplório. Certa vez disse ao taberneiro: "Restitui-lhe 75 cêntimos, que cobraste a menos quando estive aqui..." 
     Aconselhou-lhe um capitão amigo, não saia. Os cães tem o pelo molhado, os vermes saem do chão e as moscas mordem. Ouve-se um sino ao longe. Tudo indicava que teria nevoeiro. Não lhe digo que parta. Temo mais o nevoeiro que o furacão.
     Clubin errara o caminho. Outros navegadores, no passado, também. Arquiteto laborioso de sua própria emboscada. A tempestade, a noite que se aproximava, a Durande levantada pelo mar, ora pela esquerda, ora pela direita, o demônio tomou seu lugar. Os bois, a carga, o timoneiro, ébrio. Aquele que se cobria com uma armadura rígida, vivia numa pele de homem de bem, acreditava estar bem sucedido. Era o fantasma da retidão. O açúcar no veneno.
      A situação era desesperadora. A Durande naufragara em plano enclinado de popa e proa. Todos salvos pela chalupa, ele, o capitão ficou.
       Estava a 200 metros do rochedo Homem, próximo ao porto de St. Pirre. Era fácil atingi-lo a nado. Despiu-se, amarrou os francos a cintura e jogou-se  ao mar.
     Perdeu-se a Durande nos rochedos Douvres antes do por-do-sol, cochichavam os grupos em terra. O capitão portara-se com dignidade, ficara  no navio. Que homem!
     Lethiery,
o marinheiro, perdera sua obra-prima. Pobre velho! Déruchette lacrimosa.
     Quem iria aos rochedos para salvar o navio, a máquina talvez. Ninguém. Era arriscado. E os paredões. Impossível. Quem ali descia não subia jamais. Se existisse alguém que se arriscasse a chegar a Durande, Déruchette 
se casaria com ele e dava a palavra de honra a Deus.
     
Gilliat,
o engenheiro, se apresentou.
      Partiu com a pança, não esqueceu de nada. Os dois rochedos e o cadáver da
Durande... Era dia claro quando Gilliat chegou
. O escolho era horrível, altivo e arrogante. Impossível atracar. O navio vencido, o abismo vitorioso.
      Deitou a sonda muitas vezes, fazia um desembarque de malotagem: um saco de biscoitos, um saco de farinha de centeio, carne defumada, água, camisas de lã, uma japona e uma pele de carneiro..
     Dali avistava a pequena ilha de Sark algumas milhas das ilhas Jersey (hoje paraíso fiscal) de grande movimento turístico.
      Travou-se uma luta para desembarcar ali. As rochas eram escorregadias e não havia um só lugar que fornecesse porto seguro. Amarrou a pança numa ponta do rochedo. Aproximou-se da  Durande que estava presa, suspensa, trabalho de furacão que tinha a torcido.  O navio quebrou-se como uma ripa. Um pedaço da popa, com a máquina, preso a garganta, entre os dois rochedos. A proa , rolada e levada pelo vento, deslocou-se para os bancos de pedra. Os bois mortos jogados no mar.
      Não podia permanecer ali, tudo era impossível. Não servia de fuga para um criminoso e nem para um ninho de pássaro.
      No rochedo Homem, havia uma plataforma, inacessível. A grande Douvre não podia subir. De fenda em fenda chega a
Durande, que estava no ar. Era sinistro. A tempestade foi pirata. Ninguém, nenhum animal estrangula a pedra como o ar. O vento morde, o mar devora. É um socar e um esmigalhar ao mesmo tempo, igual a pata de um leão, o golpe do mar.       A máquina estava salva o que não impedia de estar perdida.
      Gilliat prendeu alguns ganchos, tentou subir, bateu no rochedo, machucou-se. Atingiu a plataforma. Havia uma cava, uma bacia. Isso era bom. Parecia um túmulo de pedra. Acomodou-se.
      Ir e vir, subir e descer. Trabalhava desde o amanhecer até o deitar do sol. Comia.
      Gilliat visita uma caverna, grotas ferozes, demorava-se nelas, não era conveniente aquele lugar. A maré enchia rapidamente até o teto. Era um edifício debaixo do mar. Viu uma coisa nojenta, era um ente, uma aparência. Sinistra.
Ignorar convida a tentar. Saber, desconcerta às vezes, e desaconselha  a tentar.
              Gilliat gastava todas as suas forças, dificilmente as refazia. Estava magro. Pés descalços. Mãos e braços com chagas. Tinha fome, sede e frio. Esgotava-lhe a vida.
       Deu de comida aos pássaros e estes lhe indicaram o caminho da água. Comia concha crua, que serviam de refrigerante. Assava os caranguejos.
       A chuva gelada atravessava a roupa até a pele e da pele até os ossos. Estava abandonado, isolado e esquecido. Não havia mais o que comer, as mãos e os pés não curavam mais, dilacerados. A perda da força não esgotava a vontade. Cria e queria. Não sentia cansaço. Era um Jó bíblico.
        Onde começa o destino? Onde acaba a Natureza?
        
As enormidades da noite:
"Sou uma alma como vós" "Sou um abismo como tu".
              Gilliat fez um trapiche. A pança deveria subir com a maré. Argolas, correntes, roldanas, cabos eram o que precisava para transportar a máquina para a pança. Construiu um aparelho, viu as polés e verificou as emendas. Tudo examinado. Limou a argola que faltava. Houve um estalo, abriu-se o ventre da
Durande. Nem tudo estava acabado.        Gilliat trabalhava. Respondia o trovão com uma martelada. Fez um trapiche. Tinha fome. Tinha uma sede ardente. Tinha febre, talvez.

      O temporal. A chuva. A pança foi jogada. A claraboia estava quase concluída.
      A tempestade se afastou. Era só o começo. Outra se aproximava, do norte. Violento assalto. "Os marinheiros chamam isso de  vento de esborear. O vento sul tem mais água, o vento norte tem mais raios".
      As avalanches de neve que o mar ajunta, debaixo das quais engole rochedos de mais de 100 pés de altura. Tudo acontecia ali mesmo em Guernesey e em Jersey. O rolo do mar tapou tudo. Gilliat permanecia de pé. Realizou-se tamanho perigo. Fez-se a efração. Foi uma agonia de moribundo. O quebra mar despedaçado. Uma tábua bateu na cabeça. Este cismava trêmulo.
      Passava-se ali alguma coisa funesta. Era o lado da pança. Gilliat correu. A Durande se separou em duas. Era a catástrofe. A pança salva. O terrível se fez horrível. Nada mais horrendo. E a hora hedionda.
     Gilliat voltou a gruta. Pôs a faca nos dentes, desceu do alto das rochas e saltou na água. Entrou, havia um raio de luz. De repente, sentiu que lhe agarravam no braço.
       Um susto. Atirou-se para trás. Aquilo que era flexível como couro, sólido como aço e frio como a noite, vinha do buraco. Lambeu o corpo nu de Gilliat, apertou, queria beber-lhe o sangue.
        A angústia é muda. Nem um grito. O fantasma era enorme. Estava agarrado por correias e por muitas bocas. Gilliat não podia respirar. Era viscoso e tinha dois olhos. Era um polvo de 2,5 metros de diâmetro. O polvo odeia.  Hipócrita estrela-do-mar. Voraz. É peixe. É réptil. É um cefalópode.
        Nunca se deixe apanhar por um deles. Estão pelas rochas. Costuma desenrolar-se e atirar-se sobre  o infeliz.
        Amarelo com cor de poeira, é cinza, é camaleão. Irritado torna-se roxo. Tem a cor da gangrena. Aquele pavor tem seus amores e torna-se fosforescente a noite para amar.
      O polvo, pensa-se, pode levar um navio a pique. O  autor diz que viu um banhista sendo atacado por um, caçado e trazido para a praia media 4 pés ingleses de largura, com quatrocentos chupadores. O mostro agonizante afugentava todos de perto.
     O tigre devora. O polvo aspira. O primeiro come vivo e o segunde bebe vivo. Equivale a oito serpentes.
      Precisa agir. "Negais o vampiro, aparece o polvo". Esses vorazes são coveiros. Gilliat era a mosca na aranha.
     Havia um momento certo para vencer o polvo, como o touro. Este curva o pescoço, aquele estica a cabeça. Sentiu a sucção das 250 ventosas. Não soltou a faca. Ele olhava o polvo e o polvo olhava para ele. Sangrava e estava preso. Precisava de um só golpe. O centro da cabeça. Se lhe agarrasse o peito estava perdido.
     Gilliat esperou, golpe certeiro, no centro, ali, exatamente como aprendera. Fez a faca girar. Estava acabado.
      Salgou seu corpo ferido. Caminhou. Olhou para dentro da cava. Estremeceu.

 Alguma coisa ria para Gilliat. Era uma caveira. Esqueleto completo.  Quem era aquele homem? O que era aquilo envolto ao esqueleto?
     Um cinto intacto. A caixinha de ferro. Abria-se por molas. Estava enferrujada. Usou a faca. A caixa abriu-se. Papéis e 75.000 francos e mais 20 guinéus. Limpou o couro do cinto e leu: "Sr.Clubin".
     Ali travara-se uma luta entre dois monstros. Um agarrou o outro. Sinistras justiças. Clubin foi o engodo do polvo e alimento para os caranguejos.
     Precisava partir pela manhã, com a maré ainda baixa. Já era maio e os dias estavam longos.
    O cano da máquina acima da pança, estava coberto pela espuma da tempestade e tinha uma camada de sal. A pança fazia água. Precisava procurar o buraco a luz da lua.
     A lua desapareceu. Não tinha nada seco e nem um sebo para fazer uma lamparina, nem fogo, nada.
     Só tinha aquela roupa seca. Tirou. Ficou nu. Tremia. Tinha pressa.
    A solidão o envolvia. O vento assoviava. Já lutara corpo a corpo com o oceano.
   Trabalhou sem ferramentas adequadas, carregou fardos sem auxílio e resolveu problemas sem ciência. Comeu sem ter o que comer, bebeu sem ter o que beber e dormiu sem ter onde dormir.
     Venceu: a fome, a sede, o frio, a febre, o trabalho e sono.
     Depois da nudez, o elemento; depois da maré, a tempestade; depois da tempestade, o polvo e depois do polvo o esqueleto.
     Que ironia Clubin rindo para ele. O morto tinha razão. Via-se perdido. Via-se tão morto como ele.
     O inverno passado ali, a fadiga, o transporte da máquina para a pança, tudo isso não era nada diante do buraco feito na pança.
     Subiu o rochedo. Fechou os olhos...
     Parecia não acreditar, ele não estava morto. Suspirou. Vivia. O sol o aqueceu. O calor o abraçou.
     Consertada  a pança com o vento de feição e o mar admirável aportou em Saint-Simpson em Guernesey.
     Quem sabe se ao sair do escolho não entoasse a canção Bonny Dundee.
     Lethiery era prisioneiro da tristeza. No tempo que era feliz, Deus existia, em carne e osso, apertava-lhe a mão. Para ele tudo era negro. Não rezava.
     Déruchette raramente sorria. Parecia preocupada. Não fazia cortesia ao sol: "Bon...jour!... queira entrar". "Sua alegria apagava-se dia a dia, e cobria-se de poeira como a asa de uma borboleta que um alfinete atravessou".
     Lethierry recebeu uma carta de "Rontaine" dizendo que lhe mandara os 75.000 francos por Clubin.
     Deruchetty não perdera o hábito de sair ao jardim pela noite. Andava alguém por ali. Era Gilliat. Estava pálida, lágrima nos olhos.
Gilliat ouvia essas palavras: "Vejo-a todos os domingos e quintas; disseram-me que outrora a senhora não ia lá tantas vezes...Nunca lhe falei, era o meu dever; falo-lhe hoje, é meu dever... O Cashmere parte amanhã; foi por isso que vim... A senhora é pobre. Eu sou rico desde esta manhã. Quer-me por seu marido? ... tu és a minha noiva. Levanta-te e vem. Que o teto azul, onde estão os astros, assista a esta aceitação da minha alma para tua alma, e que o nosso primeiro beijo se misture ao firmamento!"
   Pela manhã Gilliat entra pela sala: "Ah! Meu Filho! Homem da bagpipe! Gilliat! Tocava o sino, te procurava. Onde esta ele? Tu és um anjo. Belisco-me. Tu és meu filho, és meu rapaz, és meu Deus. Nunca vi coisa assim. Vi parisienses que são uns satanáses. Não faziam isto. É pior que a Bastilha"...
"Vi os gaúchos lavrarem nos pampas, tendo por charrua um galho de árvore do comprimento de um côvado e por grade um feixe de espinhos puxados por corda de couro; colheram com isto grãos de trigo do tamanho de avelãs. Os gaúchos não valem dois caracóis perto de ti".     "Senhores, ele foi a Douvres!" Gilliat entrega-lhe os francos. "Compraremos pinho, carvalho, olmo. Que bela Durande vamos fazer, mais comprida. Dinheiro suficiente". "Casas com Déruchete". Gilliat respondeu: "Não a amo". "Há alguma coisa! Não amas Déruchette! Era então para mim que tocavas a bagpipe? Pois trate de amá-la. Só se casará contigo. Estás doente?

       Lethiery não foi ao casamento de Déruchette. Segundo o belo rito do casamento anglicano, o decano olhou em volta de si, e fez a solene pergunta:
     __ Quem dá esta mulher a este homem?
     __ Eu __ disse Gilliat.
     O noivo, Ebenezer e Déruchette sentiram uma vaga opressão através de sua felicidade.
     Depois de prometidos, o decano continuou.
     __ Onde está o anel?
     O noivo não tinha o anel.
     Repito aqui que quando Gilliat perdeu a mãe ficou desolado. A mãe lhe deixara duas arcas de carvalho. Dentre os móveis que ficou  havia uma espécie de cesta (caixa, canastra) que Gilliat abriu e encontrou um enxoval do mais puro linho e belas roupas com um bilhete "Para tua mulher quando te casares".
     __ Decano, está aqui o anel. Gilliat tirou do dedo. Comprado, provavelmente no dia em que chegou das Douvres, para Déruchette.
     O casal se ajoelhava diante de Deus: "Em nome do Padre e do Filho e do Espirito Santo". Gilliat curvava-se ao destino
monstro declarado seu marido. O anjo prestes a partir.
      Gilliat não teve outra ocupação senão a de casá-los; fez tudo: respondeu por Luthiery.
       Dentro de poucos minutos estariam na Angrazinha. Gilliat os acompanhou.
       __ Senhora __ disse ele __ achará a bordo do Cashmire uma caixa com objetos de mulher. Foi minha mãe que mo deu, com um bilhetinho: "Para tua mulher quando te casares".
     
__ Por que não há de guardá-lo para sua mulher quando se casar.
      __ Não me casarei nunca.
      Gilliat seguiu para a barra e o Cashmire abriu as velas. A manhã tinha um quê de nupcial. Ouvia-se no ar um grito de saudação.
A vida que é a esposa, abraçava o infinito, que é o esposo.       Na relva as margaridas, as violetas, as abelhas trabalhando...
      Galgou o parapeito e desceu os arrecifes. Era ali que ficava a Cadeira de Gild-Holm-Ur. Passava de um recife para outro. Uma pescadora gritou:
       __ Cuidado. A maré esta enchendo. Gilliat continuou a andar. Acabava a terra...
       Subiu. Olhou. O Cashmire iria passar por ali. O casal parecia como pássaros. O silêncio era celeste.
      __ Olha! Parece um homem no rochedo.
      Gilliat não tirava os olhos do navio. A água chegava-lhe a cintura. Passou-se uma hora. Passou-se mais uma hora. O Cashmire era uma mancha...
      Foi diminuindo, diminuindo...
      No momento em que o navio se dissipava no horizonte a cabeça de Gilliat desaparecia debaixo da água. Tudo acabou. Só restava o mar. FIM (resumido por Mª de Lourdes Cardoso)


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A TERRA NÃO GIRA EM TORNO DO SOL DE AFM

Fiz um comentário sobre as descobertas de Galileu Galilei no site administrado pelo astrônomo e Prof. Avaní questionando a luneta de Galileu e também sobre o local em que ele observava os planetas, no caso a Itália.
Respondeu-me gentilmente o Professsor: "O que Galileu viu com uma lunetinha mixuruca daquela época foi coisa que só demonstra a erudição que ele tinha e que o local nada influencia nas descobertas. Hoje em dia mesmo com um telescópio 50 vezes melhor há quem não consegue olhar a Lua direito. Basta ver o meu blog, o pessoal pedindo ajuda." Avani
Agradece-me o comentário que fiz no blog e eu agradeço pela resposta enviada por e-mail. Este asssunto foi gerado quando editei a crônica com o título "NON CREO EN LOS HOROSCOPOS"
Para quem gosta de astronomia não deixe de acessar: http://astroavani.no.comunidades.net/index.php e receber explicações.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA - François Bégandeau

                        
      François nasceu em Luçon, na França. Iniciou a carreira profissional como professor, jogou futebol em Nantes, cantou e compôs letras e por fim escritor. Escreve o livro em 2006 e relata a hitória "do ponto de vista de um jovem e desajeitado professor de francês". Narra em primeira pessoa. É sua própria história. É verossímel. Verdade e ficção se misturam. O livro é um desabafo e também mostra a realidade de um colégio da periferia de Paris, onde ele deu aulas, vivenciou com diretores, professores e funcionários da escola. Esta narrativa é uma amostragem do que se passa nos colégios do mundo inteiro. Os alunos eram imigrantes oriundos de países que sofreram com guerras ou outros reveses. Eram africanos, paquistaneses, chineses e outros. Todos com dificuldades para entender a língua francesa. Faz um diário do conteúdo apresentado, relata aluno por aluno e sua maneira de dialogar com franqueza.

     Iniciou o ano letivo dando ordens:
    "__Que fique claro desde o início do ano: quero que, quando tocar o sinal, todos façam fila imediatamente. Cinco minutos para formar a fila, mais cinco minutos para subir, mais cinco minutos para se sentarem nos lugares, ao todo são quinze minutos de trabalhos perdidos. Tentem calcular um pouco o que isso representa, quinze minutos perdidos por aula durante todo o ano. À razão de vinte e cinco horas por semana e trinta e três semanas, dá mais de três mil minutos perdidos. Há colégios que trabalha uma hora sobre uma hora. Vocês partem com três mil minutos de atraso sobre eles. E depois a gente se espanta". Faço uma observação com o emprego de "a gente". Acredito que nos originais em francês ele escreveu: "E depois nos espantamos".
A aluna de nome Khoumba reclama dos períodos que não tinham uma hora, mas cinquenta ou cinquenta e cinco minutos.
     "__ Bom, bom, vamos corrigir: então uma frase com depois que (aprés que)..."
     "__ Ontem eu disse que após o depois que (aprés que), usa-se o indicativo."
    À medida que davam as resposta o professor aumentava a dificuldade e corrigia: "não use o passado simples (passé simple)...use o passado composto (passé composé)...é preciso usar o passado composto na frase inteira...ser e ter (auxiliares) não é a mesma coisa"
     "__Mas prô, não é obrigatório, a ação já está acabada quando a gente usa o depois que".
    Percebeu a dificuldade e continuou a explicar cada vez acrescentando algo novo como o subjuntivo, um tempo esquisito como o futur entérieur (futuro anterior) e inicia um novo dia narrando que ele não dormia, mas "eles dormiam". Sandra entrou, sem bater e as paredes balançaram.
O professor filosofa: "De um lado temos a existência. E o que é a existência. Em resumo é isso to be or not to be..."
      "__Prô, o senhor prefere ser ou não ser?
      __ Eis a questão.
      __ Eu prefiro ser".
     Dos vinte e quatro alunos apenas duas entenderam a expressão sentido de existência, que foi tema de casa.
     Na reunião da escola: "Eu proponho um projeto sobre as incivilidades. Eles não param de se insultar uns aos outros, seria necessário punir sistematicamente". O professor Guilles dá a sua opinião: "Lamento, mas estamos pagando as besteiras do ano passado. No ano passado, nas quintas, eles já aprontavam, teria sido suficiente dois ou três conselhos disciplinares para acalmá-los... eles nos desafiam o tempo todo.
     Retomando o diário de aula.
     "__ Prô isso não se faz, o senhor está "fulo" e desconta em mim, isso não se faz.
     __ Em primeiro lugar não se diz "fulo", diz-se o quê?
     __ Diz-se o que o quê?
     __ Use uma palavra verdadeiramente ideal da nossa língua, isso já melhora.
     __ O senhor está com raiva..."
     Aqui, o professor reforça o ensino da linguagem culta e nunca a linguagem popular.
     O professor pede Khoumba para ler um texto e ela não estava a fim.
    "__ A fim ou não você vai ler.
    __ O senhor não pode me forçar a ler".
    Na saída o professor escreve um bilhete aos pais da aluna explicando os termos da punição.
    "__ Peça desculpas.
    __ Desculpas de quê? Eu não fiz nada.
    __ Peça desculpas. Enquanto você não pedir, não vou liberá-la".
    Depois de resistência de ambos, de chamá-la de insolente, ela decide pedir desculpas.
    "__ Senhor, peço-lhe desculpas por ter sido insolente com o senhor".
    O professor lhe entrega o caderno e ela desce a escada, exclamando:
      "__ Não acho".
     Khoumba não se achava insolente e mais uma vez ofendeu o professor. Este volta para a sala e chuta uma cadeira que virou em trmbolhão. Reflete e levanta alguns pontos relacionados com os problemas da escola, da sociedade, o futuro, a igualdade, o trabalho e não se cansa de enumerar considerações e entre todas salientei uma: "Como os pais e parceiros externos da escola podem favorecer a sucesso escolar dos alunos?"
  Khoumba escreve. Resumindo: "Em todo caso, eu me comprometo respeitá-lo se for RECÍPROCO. De qualquer maneira eu também não olharei para o senhor, para que o senhor não diga que eu estou olhando com insolência. E, normalmente, numa aula de francês, deve-se falar do francês e não de sua avó ou irmão, por isso, a partir de agora, eu não falarei mais com o senhor."
De relato em relato ela narra o episódio das meninas que disseram a ela que todo o colégio estava sabendo:
   "__ Sabendo de quê? Pergunta o professor.
   __ Que o senhor nos insultou de vagabundas".
   De dentes cerrados:
  "__ Eu não as tratei de vagabundas, eu disse que em dado momento    vocês se comportaram como vagabundas, se você não compreende isso, a diferença, você está completamente por fora, coitada!"
   A discussão foi longa.
   "__ Prô, eu tenho uma pergunta, mas se eu fizer, o senhor vai me mandar para Guantânamo.
    __ Ah?"
    Este "ah" do professor sugere que isso seria uma boa idéia.
    Novos fuxicos vem a tona em aula:
     "__Eles dizem o quê? Insiste o professor para que a aluna fale.
     __ Hum, eles dizem que o senhor gosta de homens".
     Aproxima-se o final do ano e uma aluna chora e diz ao professor que estava perdida. Que não entendia nada.
Como professora que fui entendo perfeitamente a situação. Alunos com quinze anos que não saiam da quinta série e precisavam trabalhar, por ser muito pobres, como ajudantes em bancos e escritórios fazendo trabalhos de rua e precisavam de atestados que haviam terminado a quinta série.
     O professor faz provas simuladas e explica que fazê-la repetir a oitava série seria contraproducente. Iria colocá-la no Ensino Médio que se dividia em ensino geral, técnico ou profissionalizante. Esta maneira de pensar do professor foi correta, chega um momento que não há outra alternativa para o professor. Dá um incentivo ao aluno e sugere por exemplo o ensino profissionalizante. Com o correr do tempo poderá desaparecer as dificuldades e seguir uma outra carreira e nos países pobres a tendência é mesmo o abandono dos estudos em troca de trabalho.
     Entre as palavras escritas em francês, Ming um chinês escreve entre muitas a palavra austríaca. O professor explica o significado de todas as palavras e virando-se para Ming, disse-lhe: "que austríaca era de fato bastante conhecida, mas que, bem, na verdade era um país pequeno, que ninguém se importava muito com os austríacos. Mesmo assim, você conhece o país chamado Áustria, Ming?
   __Não".
   O professor diz a Ming que não precisa esquentar a cabeça porque é um país sem nenhama importância para o mundo, para a Europa. Pergunta para a turma:
    "__ Alguém aqui conhece um austríaco célebre".
    Nenhuma aluna levantou a mão. Novamente o professor falou aos alunos que se uma bomba tirasse a Áustria do mapa, ninguém perceberia.
     Neste diálogo com os alunos o professor perde a aportunidade de falar sobre a Áustria ou não havia dormido ou não sabia nada sobre ela. Poderia ter falado de Sigmundo Freud, pai da psicanálise que nasceu e estudou na Áustria, de Strauss que também nasceu lá e compôs valsas que são tocadas sobretudo na França e a mais conhecida delas "O Danúbio azul", nome tirado do principal rio que corta o país. Mozart também austríaco com as famosas "Sinfonias" e a dominação da Áustria por um perído de quase 300 anos no centro da Europa e reação da Áustria contra Napoleão Bonaparte quando do Primeiro Império Francês criado por ele. 
O professor encerra o ano reforçando a liguagem culta: nunca diga a gente no lugar de nós. "Bem, escreve o autor, vou voltar a oralidade, lembro que não é porque a questão pede para vocês escrever um diálogo que precisam escrever como falam, entenderam? Aliás, ninguém consegue escrever como fala, é impossível, o máximo que se consegue fazer é dar uma impressão de oralidade, só isso..."
    Uma bela obra, franca e em nenhum momento ele ficou preocupado em relatar a verdade, a inexperiência como professor.
Nas minhas turmas sempre havia surpresas e embaraços de turma para turma com situações diferentes e com grande dificuldade para resolver os problemas. Mocinha de dezesseis anos com acesssos de risos permanente (drogada) na turma da noite. Adolescentes que faziam da escola ponto de encontros para simplismente perturbar. Adotei um sistema de fichas. Todos deveriam copiar a matéria de português no caderno pegando as fichas sobre a mesa e recebiam explicações individuais. Estes que só queriam bagunçar afastaram-se porque perderam o interesse. Não havia mais nada escrito no quadro e não havia mais provas. Foi a solução para se ter paz. A política do governo é sempre a de prender o aluno e nunca afastá-lo. Só que esses que perturbam se veem livres para fazer o que querem e a escola não tem mecanismos para conter a indisciplina...
    O autor ficou em sala de aula por sete anos eu fiquei por onze insupostáveis anos, com exceção de alguns com crianças de oito, uma oitava série do curso supletivo em colégio particular. Leitura para pais e professores numa época que estamos discutindo gramática portuguesa com erros, adotada pelo Ministério da Educação.



























domingo, 31 de julho de 2011

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA - François Bégaudeau

    François nasceu em Luçon, na França. Iniciou a carreira profissional como professor, jogou futebol em Nantes, cantou e compôs letras e por fim escritor. Escreve o livro em 2006 e relata a hitória "do ponto de vista de um jovem e desajeitado professor de francês". Narra em primeira pessoa. É sua própria história. É verossímel. Verdade e ficção se misturam. O livro é um desabafo e também mostra a  realidade de um colégio da periferia de Paris, onde ele deu aulas, vivenciou com  diretores, professores e funcionários da escola. Esta narrativa é uma amostragem do que se passa nos colégios do mundo inteiro. Os alunos eram imigrantes oriundos de países que sofreram com guerras ou outros reveses. Eram africanos, paquistaneses, chineses e outros. Todos com dificuldades para entender a língua francesa. Faz um diário do conteúdo apresentado, relata aluno por aluno e sua maneira de dialogar com franqueza.
     Iniciou o ano letivo dando ordens:
     __Que fique claro desde o início do ano: quero que, quando tocar o sinal, todos façam fila imediatamente. Cinco minutos para formar a fila, mais cinco minutos para subir, mais cinco minutos para se sentarem nos lugares, ao todo são quinze minutos de trabalhos perdidos. Tentem calcular um pouco o que isso representa, quinze minutos perdidos por aula durante todo o ano. À razão de vinte e cinco horas por semana e trinta e três semanas,  dá mais de três mil minutos perdidos. Há colégios que trabalha uma hora sobre uma hora. Vocês partem com três mil minutos de atraso sobre eles. E depois a gente se espanta. Faço uma observação com o emprego de "a gente". Acredito que nos originais em francês ele escreveu: "E depois "nós" nos espantamos".
     A aluna de nome Khoumba reclama dos períodos que não tinham uma hora, mas cinquenta ou cinquenta e cinco minutos.
    __ Bom, bom, vamos corrigir:  então uma frase com "depois que" (aprés que)...
     __ Ontem eu disse que após o "depois que" (aprés que), usa-se o indicativo."
     À medida que davam as resposta o professor aumentava a dificuldade e corrigia: "não use o passado simples (passé simple)...use o passado composto (passé composé)...é preciso usar o passado composto na frase inteira...ser e ter (auxiliares) não é a mesma coisa"
    ___Mas prô, não é obrigatório, a ação já está acabada quando a gente usa o "depois que".
  Percebeu a dificuldade e continuou a explicar cada vez acrescentando algo novo como o subjuntivo, um tempo esquisito como o futur entérieur (futuro anterior) e inicia um novo dia narrando que ele não dormia, mas "eles dormiam". Sandra entrou, sem bater e as paredes balançaram.
     O professor ( narrador) filosofa: "De um lado temos a existência. E o que é a existência". Em resumo é isso "to be or not to be"..."
    __Prô, o senhor prefere ser ou não ser?
    __ Eis a questão.
    __ Eu prefiro ser.
    Dos vinte e quatro alunos apenas duas entenderam a expressão "sentido de existência", que foi tema de casa.
     Na reunião da escola: "Eu proponho um projeto sobre as incivilidades. Eles não param de se insultar uns aos outros, seria necessário punir sistematicamente". O professor Guilles dá a sua opinião: "Lamento, mas estamos pagando as besteiras do ano passado. No ano passado,  nas quintas, eles já aprontavam, teria sido suficiente dois ou três conselhos disciplinares para acalmá-los... eles nos desafiam o tempo todo".
     Retomando o diário de aula.
     __ Prô isso não se faz, o senhor está "fulo" e desconta em mim, isso não se faz.
     __ Em primeiro lugar não se diz "fulo", diz-se o quê?
     __ Diz-se o que o quê?
     __ Use uma palavra verdadeiramente ideal da nossa língua, isso já melhora.
     __ O senhor está com "raiva"...
     Aqui, o professor reforça o ensino da linguagem culta e nunca a linguagem popular.
     O professor pede Khoumba para ler um texto e ela não estava a fim.
     __ A fim ou não você vai ler.
     __ O senhor não pode me forçar a ler.
     Na saída o professor escreve um bilhete aos pais da aluna explicando os termos da punição.
     __ Peça desculpas.
     __ Desculpas de quê? Eu não fiz nada.
     __ Peça desculpas. Enquanto você não pedir, não vou liberá-la.
     Depois de resistência de ambos, de chamá-la de insolente, ela decide pedir desculpas.
      __ Senhor, peço-lhe  desculpas por ter sido insolente com o senhor.
      O professor lhe entrega o caderno e ela desce a escada, exclamando:
      __ Não acho.
     Khoumba não se achava insolente e mais uma vez ofendeu o professor. Este volta para a sala  e chuta uma cadeira que virou em trmbolhão. Reflete e levanta alguns pontos relacionados com os problemas da escola, da sociedade, o futuro, a igualdade, o trabalho e não se cansa de enumerar considerações e entre todas salientei uma: "Como os pais e parceiros externos da escola podem favorecer a sucesso escolar dos alunos?
     Khoumba escreve. Resumindo: "Em todo caso, eu me comprometo respeitá-lo se for RECÍPROCO. De qualquer maneira eu também não olharei para o senhor, para que o senhor não diga que eu estou olhando com insolência. E, normalmente, numa aula de francês, deve-se falar do francês e não de sua avó ou irmão, por isso, a partir de agora, eu não falarei mais com o senhor.
     De relato em relato ela narra o episódio das meninas que disseram a ela que todo o colégio estava sabendo:
     __ Sabendo de quê? Pergunta o professor.
     __ Que o senhor nos insultou de vagabundas.
     De dentes cerrados:
     __ Eu não as tratei de vagabundas, eu disse que em dado momento vocês se comportaram como vagabundas, se você não compreende isso,  a diferença, você está completamente por fora, coitada!
    A discussão  foi longa.
    __ Prô, eu tenho uma pergunta, mas se eu fizer, o senhor vai me mandar para Guantânamo.
    __ Ah?
    Este "ah" do professor  sugere que isso seria uma boa idéia.
    Novos fuxicos vem a tona em aula:
    __Eles dizem o quê? Insiste o professor para que a aluna fale.
    __ Hum, eles dizem que o senhor gosta de homens.
    Aproxima-se o final do ano e uma aluna chora e diz ao professor que  estava perdida. Que não entendia nada.
    Como professora que  fui entendo perfeitamente a  situação. Alunos com quinze anos que não saiam da quinta série e precisavam trabalhar, por ser muito pobres, como ajudantes em bancos e escritórios fazendo trabalhos de rua e precisavam de atestados que haviam terminado a quinta série. 
       O professor faz provas simuladas e explica que fazê-la repetir a oitava série seria contraproducente. Iria colocá-la no Ensino Médio que se dividia em ensino geral, técnico ou profissionalizante. Esta maneira de pensar do professor foi correta, chega um momento que não há outra alternativa para o professor. Dá um incentivo ao aluno e sugere por exemplo o ensino profissionalizante. Com o correr do tempo poderá desaparecer as dificuldades e seguir uma outra carreira e nos países pobres a tendência é mesmo o abandono dos estudos em troca de trabalho.
    Entre as palavras escritas em francês,  Ming um chinês escreve entre muitas a palavra austríaca. O professor explica o significado de todas as palavras e virando-se para Ming, disse-lhe: "que austríaca era de fato bastante conhecida, mas que, bem, na verdade era um país pequeno, que ninguém se importava muito com os austríacos. Mesmo assim, você conhece o país chamado Áustria, Ming?
     __Não.
     O professor diz a Ming que não precisa esquentar a cabeça porque é um país sem nenhama importância para o mundo, para a Europa. Pergunta para a turma:
     __ Alguém aqui conhece um austríaco célebre?
     Nenhuma aluna levantou a mão. Novamente o professor falou aos alunos que se uma bomba tirasse a Áustria do mapa, ninguém perceberia.
     Neste diálogo com os alunos o professor perde a aportunidade de falar sobre a Áustria ou não havia dormido ou não sabia nada sobre ela. Poderia ter falado de Sigmundo Freud, pai da psicanálise que nasceu e estudou na Áustria, de Strauss que também nasceu lá e compôs valsas que são tocadas sobretudo na França e a mais conhecida delas "O Danúbio azul", nome tirado do principal rio que corta o país. Mozart também austríaco com as famosas "Sinfonias". 
      O professor encerra o ano reforçando a liguagem culta: nunca diga "a gente" no lugar de "nós". "Bem, escreve o autor, vou voltar a oralidade, lembro que não é porque a questão pede para vocês escrever um diálogo que precisam escrever como falam, entenderam? Aliás, ninguém consegue escrever como fala, é impossível, o máximo que se consegue fazer é dar uma impressão de oralidade, só isso..."
     Uma bela obra, franca e em nenhum momento ele ficou preocupado em relatar a verdade, a inexperiência como professor.
      Nas minhas turmas sempre havia surpresas e embaraços de turma para turma com situações diferentes e com grande dificuldade para resolver os problemas.  Mocinha de dezesseis anos  com acesssos de risos permanente (drogada) na turma da noite. Adolescentes que faziam da escola ponto de encontros para simplismente perturbar. Adotei um sistema de fichas. Todos deveriam copiar a matéria de português no caderno pegando as fichas sobre a mesa e recebiam explicações individuais. Estes que só queriam bagunçar afastaram-se porque perderam o interesse. Não havia mais nada escrito no quadro e não havia mais provas. Foi a solução para se ter paz. A política do governo é sempre a de prender o aluno e nunca afastá-lo. Só  que esses  que perturbam se veem livres para fazer o que querem e a escola não tem mecanismos para conter a indisciplina...
      O autor ficou em sala de aula por sete anos eu fiquei por onze  insupostáveis anos, com exceção de alguns com crianças de oito, uma oitava série do curso supletivo em colégio particular. Leitura para pais e professores numa época que estamos discutindo gramática portuguesa com erros,  adotada pelo Ministério da Educação.  
  
   
    
   
   

domingo, 29 de maio de 2011

POR UMA VIDA MELHOR - gramática com erros - Heloísa Ramos

      A autora do livro "Por uma vida Melhor" mais conhecida pela gramática com erros, fala sobre o livro: "O ensino que a gente defende..." De que "gente" ela está falando, do Ministro, dela  e de quem mais? "... e quer da língua é um ensino bastante plural..." De que plural a professora está falando, não poderia ser mais clara? "...com diferentes gêneros textuais,..." Como que o professor vai agir para ensinar a criança a "diferentes gêneros de textuais" se a senhora já suprimiu o mais importante que é a linguagem culta aquela em que o cidadão sai escrevendo e falando para se engajar num Brasil melhor e para sua própria dignidade? "...com diferentes práticas, diferentes situações de comunicação para que essa desenvoltura linguística aconteça." Neste último seguimento da fala ela repete quando diz "diferentes práticas", "diferentes situações" deve ser o pluralismo. Mas vou focalizar a palavra "desenvoltura". Ela só podia fazer o fechamento deste texto com esta palavra. Por que? Quando ela retira do texto em questão o ensino da língua padrão ensinada nas escolas, o aluno vai sair com "desenvoltura" que é sinônimo de desembaraçado ou sujeito conversador fala de tudo mais não sabe nada, sinônimo de libertino e desonesto. É isto que a "gente" está querendo para as crianças do Brasil? Faltou no texto como desenvolver a criança para crescer e para enfrentar o que vem pela frente. Veja a diferença entre desenvolvimento e desenvoltura.
      Na íntimidade, no Planalto diz a professora, Haddad "patrocinou e distribuiu 488 mil exemplares do meu livro que ensina a falar errado está correto" Não é erro meu, está escrito desta forma. Também cometo os meus erros.
      Talvez, hoje não são tão íntimos. Esta gramática é uma pedra no sapato do filósofo e Ministro. Conhece aquele ditado "bota o bode" e "tira o bode"? O bode muitas vezes é necessário, mas num determinado momento começa a incomodar e então, "afasta-se o bode".
      Ela dá uma aula aos professores dizendo que está correto dizer: "Eu quero dois pastel", "Um copo de refri",  "nós pega o peixe" e "Posso falar os livro?" Sim é a resposta da mestra.
     Queridos professores: Kaspari, com nova edição em vários volumes, eu já presenteei ao meu filho, Evanildo Bechara e tantos bons gramáticos que o nosso país tem. Edwardo Lopes, aqui comigo, Jânio me auxiliando no latim. Os senhores estão de parabéns, dou-lhes graças por ter passado nos meus concursos e meu filho também.
      Voltando: "Nós pega o peixe". O erro do emprego do verbo que vem do latim "capere" 2ª conjugação, traduzido fica "capturar ou pegar" na 1ª conjugação. A mestra usa o Presente do Indicativo que fica assim vindo do latim, lingua mãe "morta"(a pessoa do verbo no plural e a declinação verbal no singular).  No singular: "Captus piscis" = "Eu pego o peixe" e no plural: "Caperunt piscis" = "Nós pegamos o peixe".  O professor não tem como escapar de ensinar o verbo no singular e no plural. É um crime e é mais uma língua morta. Matamos a mãe e agora a "gente"  mata o "filho". Cruz, credo e valha-me Deus, diria minha avó Inácia.
      Falando em linguagem popular, em correntes diversas, diz Jânio:..."Esta formação geralmente popular é inconsciente, pois só obedece a lei do menor esforço" Bravo Professor! Quando este professor fala em Morfologia eu destaco o substantivo por que sempre teve e sempre terá singular e plural, assim nos ensinou a lingua mãe (latim): No singular  "lex" e no plural "legis" todo estudante de direito sabe disto. Lei, leis na nossa belíssima língua, tão cultuada pelos nossos poetas e escritores. Depois que estudaram a gramática partiram então para o pluralismo estilístico.
     Finalizo com um apelo de Gilberto Amado, livro que está presente na família por 63 anos. A obra se chama Estudos Brasileiros. Ele se dirige à mocidade: "...se quiserdes servir o Brasil __ homem que cria a pátria, escrevei, falai, agi... Vereis talvez a direção da coisa pública escapar-vos da mão __ se escreverdes, se falardes, se agirdes, porque o Brasil tem horror de quem  escreve, de quem fala, de quem age". Emocionante.  Confira.




terça-feira, 24 de maio de 2011

MALDITOS CAÇADORES DE ANIMAIS

      Publiquei aqui sobre a descoberta de Safari no Mato-Grosso do Sul/BR. A fazendeira e ambientalista hospedava em sua própria fazenda estrangeiros para caçadas. Os caçadores fizeram um vídeo onde aparece a dona Beatriz Rondon com ar de felicidade porque haviam matado as onças que comiam as vacas. Só que a dona Beatriz não fala no vídeo de que todo o animal abatido pelas onças eram pagos pelo governo para deixar as onças em paz. Era uma onça fêmea Pintada e uma onça Parda. Onça Parda! Vocês conhecem uma onça Parda? Eu tenho dúvidas se conheço. Claro que não. Conheço o Puma. Também não. Estou confusa! Só quem poderia me ajudar seria os próprios animais vivos. Filmados. Dona Beatriz, "a protetora da fauna e flora", que todos imaginavam na cadeia porque o IBAMA com ajuda do Exército comprovaram a existência de tais caçadas, está livre. Ela só não usa colarinho branco porque gosta de roupas à moda africana. Aquele safari de brim, usado nas caçadas. Estão lembrados?
     O Correio do Povo, de hoje, trás uma reportagem sobre a descoberta de um filhote de veado-virá encontrado em  cativeiro em uma propriedade rural em Erval Grande/RS.Também em extinção. O proprietário encontrou-o e estava protegendo dos cães. O bichinho não pode mais entrar em contato com a natureza por não saber se defender.  Vai para o zoológico da Universidade de Passo Fundo/RS, depois de ser tratado. Histórias tristes. Não podemos nos apossar de filhotes, retirá-lo da natureza pois é Crime Ambiental. Se o animal está precisando de ajuda chame um veterinário e ele encaminhará para as organizações competentes. Onde estava a mãe do filhote? Porque estavam separados? Quando o caçador atira na fêmea não está pensando que ali na frente um filhote espera pelo leite. Malditos caçadores.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

FILHOS DAS TREVAS - Morris West

      Morris Langlo West, nasceu em St. Kilda em Victória, na Austrália (1916). Ficou doze anos em um mosteiro, mas não se ordenou padre. Conhecedor da religião católica, discordou de algumas posições da igreja. Foi crítico literário.  Em Filhos das Trevas ele critica o poder da igreja e a política. O enriquecimento da igreja mesmo após a guerra quando as crianças dormiam na rua e Nápoles tinha 200 mil pessoas desempregadas. "Dois representantes da igreja são fenômenos na batalha para adquirir fundos em nome da hierarquia eclesiática e das autoridades civis". Critica a formação dos padres, "a educação desenvolve-se com um século de atraso". Divide a pesquisa chamada de "Filhos das Trevas" em três livros: Ver Nápolis e Morrer; Luz nas Trevas e __O que se há-de fazer? Publica em 1957.

                           1º livro - Ver Nápolis e Morrer  
      O narrador nos da esta sensação, de morte. "Os vestígios da guerra erguiam-se por todos os lados".
      Inicia a narrativa dizendo que visitava a Casa dos Meninos, já no prólogo. Narra em primeira pessoa: "Estremeci como se alguém passasse por cima de meu túmulo".  Ele se apresenta como Mauro e é conhecido pelo menino como "gran scritore australiano".      
      Descreve Nápoles através da Rua dos Dois Leprosos: "estreitas gargantas de casa, entre as quais se veem cordas com roupas a secar como bandeiras de um triunfo de miséria". Belíssima e inteligente construção. É breve: ausência do adjetivo, com a presença de substantivos. "Vê-se que fervilham de vida." Esta frase  serve para mostrar a quantidade de pessoas que viviam em Nápolis e também a prole indiscriminada. Quem apresenta a cidade para Mauro é Peppino. Não descreve o personagem para não antecipar a história e também porque o leitor iria tomar como uma narrativa inverossímil. Vejo o trabalho do autor como verossímil, real e sem ficção. Foi para a Itália, lá passou uma temporada, por mais de uma vez  fala na pesquisa, ou seja na elaboração do livro.
      Veja o diálogo entre os dois:
      " __ Nove num quarto?
         __ Na cama. É grande, como pode ver.
         __ Todos?
         __ Que hão de fazer?
      Nas barache (barracas) dormiam quinze no mesmo quarto, como animais.
      "__ Acha certo, Peppino, que o ato sexual se realize diante das crianças, das moças e dos rapazes mais velhos...?" Mais adiante o narrador fala da promiscuidade, do primeiro contato sexual entre a moça e o irmão mais velho. Nem sempre este ato se confirmava e nem por isso ela se prostituia, mas em outros casos permaneciam juntos, unidos pela miséria. A prostituição era grande, mas havia as moças que pacientemente esperavam por um casamento o que era raro, pelo desemprego. Descreve o narrador: "Há na Itália hoje dois ou três milhões de mulheres que vivem na prostituição". A desordem não só causada pela guerra, mas também pelo descaso dos políticos (a corrupção), o clero, e o poder financeiro nas mãos de poucos, não havia nada. Veja pela estatística da prostituição. Assim era a Itália por volta de 1950 a 1956, quando Morris West fazia a pesquisa. Será que os brasileiros sabem em 2011 quantas prostitutas existem aqui? Próximo a rodoviária e zona Norte de Porto Alegre as prostitutas são vistas à luz do dia. O Estado como instituição não está preocupado com elas. São meninas que não frequentaram a escola ou sabem ler e escrever muito mal.  Não são poucas e nós não participamos de guerra alguma. Para onde foram o dinheiro dos nossos impostos? Porque essas meninas não tiveram assistência quando pequenas?

                             2º livro: Luz nas Trevas
      O título sugere que nem tudo está perdido. O trabalho de resgatar os meninos das ruas, acostumados ao que de pior existia, não era fácil. Estas crianças, bem como os adultos não acreditavam nos padres, não eram confiáveis. Os padres não tocavam no coração dos poderosos que frequentavam as igrejas. Isto irrita o narrador. Ele fala em dicotomia. Dicotomia de consciência,  o estrangeiro católico aceita bem ou mal  a participação do clero na ação social e nas reformas políticas ou cívicas. Veja a construção do narrador: " O padre é conhecido como homem e o homem como padre. No Mezzogiorno não era assim".
     O narrador mostra o trabalho do padre Borelli que se transforma em homem de rua (o mesmo que no início da narrativa angariava fundos para a igreja) para poder se aproximar dos meninos. Depois de muita luta consegue levá-los para igreja Materdi que havia sofrido com os bombardeios, mas tinha paredes e teto. A Luz nas Trevas é a esperança, o amor  e a dignidade humana levada às crianças abandonadas de Nápolis, porém dos ricos não vinham nada.
     Manobras de cunho econômico eram realizadas: "o Banco de Nápolis elevou os juros 17% aumentando o valor nominal das obrigações". "...industriais e banqueiros depositavam capitais nos cofres do Partido Comunista para obter certas garantias..." Muito dinheiro saiu também para os bancos americanos...
    "Nem um único dólar, certamente, chegou as  mãos de Borelli!

                           3º livro: __ O que se há-de fazer?
       A fuga dos italianos: Canadá, Estados Unidos, Austrália, Brasil e Argentina é mostrada pelo narrador. Se nós tínhamos alguma dúvida com relação aos imigrantes italianos, não deixou dúvida. Eles fugiram de uma pátria sem solução.
      Havia um objetivo para escrever este livro  e ele buscava. Encontra duas justificativas que ele coloca neste último livro: "O homem não é uma ilha. Uma nação também não o é, neste nosso mundo do século XX. Os pecados de uns recaem sobre as cabeças de todos. O castigo pode ser catastrófico". A outra: "...as crianças de Nápolis não tem voz; empenhei-me a dar uma. Uma criança não pertence a nenhum partido político; uma criança não tem nacionalidade. Assiste-lhe o direito de viver e o direito de esperar. Se estes lhe são negados, é um crime contra a humanidade que todo homem honesto deve denunciar". 
       O narrador insiste: "Uma vez mais o problema está na educação". Neste ponto ele se referia ao papel do clero. Multiplica o número de igreja pelo número de sermões e por aí vai...e a corrupção corria a solta no sul da Itália e muita miséria.
      Finalizou o livro dialogando com Peppino que superou tudo e hoje é um homem de bem:
     "__ No entanto, é verdade, Peppino. É verdade para os indivíduos, as sociedades e as nações. Se eu sou rico, não me agrada que me lembrem que há crianças que dormem nas sargetas. Causam-me mal-estar, azeda-me o vinho, estraga-me o repouso. Se tenho..." o autor prossegue, na mesma linha de pensamento.
     O narrador dá o desfecho: "São filhos do sol, embora vivem nas trevas dos bassi. Tem o fogo do Vesúvio no sangue, mas queima debilmente e mal se lhe nota a fumaça. São os herdeiros de três mil anos de história, mas vivem no vácuo da Europa, num ponto em que o progresso parou... vivem num tempo que não é tempo, mas uma síncope no meio dos séculos."
     Morris West, Mauro ficou difícil concluir este trabalho, pela emoção.
     Volta com Peppino a Casa dos Meninos: "e quando escrever seu livro, dirá que eu era seu amigo...non é vero? Belíssima obra, um único volume divido em três. Confira...
  
     

sábado, 7 de maio de 2011

SAFARI NO PANTANAL - crime ambiental

Já escrevi aqui sobre a matança de veados campeiros próximo de Porto Alegre/RS/BRASIL. Para os caçadores não há nenhum mal em matar os poucos animais que existem. Eles argumentam que há muitos por aí. Só que até o momento eu não me deparei com nenhum deles, isto significa que eu tenho que andar muito para fotografar um. Muitas pessoas ficavam surpresas porque eu não conhecia um gambá fora do zoológico. Eu tive o prazer de chegar da praia e encontrar dois filhotinhos que muito felizes brincavam num pequeníssimo jardim que tenho numa pequena área de 35 metros quadrados nos fundos de casa. A pelagem é linda e entre os olhinhos há um triângulo branco. Minha neta pergunta no telefone: __Como vão os teus gambazinhos vó? __São arteiros, escondem-se debaixo da churrasqueira e vão até o comedouro dos pássaros. Sobem também nos vasos e até sobre a mesa do pátio. Fico triste porque próximo daqui existe um riachinho imundo. Onde irão beber água os bichinhos, que vivem se escondendo por causa da maldade das pessoas e pelo ódio dos cães?

terça-feira, 26 de abril de 2011

WIKILEAKS: uma Vitória Contra a Tortura

De: Ricken Patel - Avaaz.org (avaaz@avaaz.org)                                              
Para: Mª de Lourdes Cardoso
Duas semanas atrás, mais de 500.000 apoiadores da Avaaz de todo o mundo apelaram ao Presidente Obama para ele interromper o isolamento brutal e tratamento desumano do Bradley Manning, supostamente responsável por vazar os documentos militares para o Wikileaks. Alguns dias depois, o governo dos EUA cederam a pressão crescente anunciando que Manning seria transferido para um prisão de segurança média e receberia tratamento adequado de saúde mental. Representantes da imprensa foram convidados a testemunharem o fim da tortura. A pressão pública funcionou!







domingo, 24 de abril de 2011

MINHA CAIXA E-MAIL - Dia Mundial do Livro env/JavieAmazings

JavieAmazings

-------------------------------------------------- ---------------------------Javier Armentia conversando com timo coleção Berto Go!
Publicado em: 24 de abril de 2011 07:00 PDT
Ontem foi comemorado o dia do livro, por isso apesar de um dia de atraso, aqui vai nossa recomendação pela amazings Javier Armentia que passaram pelo programa de bate-papo com Berto Buenafuente no esquema fraudulento coleção Go!
A viagem pelo sistema solar Licoti
Publicado em: 23 de abril de 2011 10:21 PDT
Licoti é um designer gráfico francês no site Deviant Art oferece uma fascinante galeria de imagens e gráficos de computador com motivos astronômicos. Entre eles está uma representação impressionante do sistema solar com mais de 30.000 pixels que você possa desfrutar do espaço criativo da wikipedia commons.
Com base nessa idéia e com Sylvafilms também fez um vídeo espetacular, que nos convida a sua viagem particular através do sistema solar. A união de música e desenhos simplesmente incrível.
Clique aqui para ver o vídeo




sexta-feira, 15 de abril de 2011

MAR DE ARAL - "nem mel, nem porongo"

 A degradação do meio ambiente começa a ser estudada pelos persas que já controlavam a irrigação com mecanismos de controle de assegurar o desperdício da água. Antes de 1918 havia um lago chamado Aral, a sua grandeza era de  690.000 km² e com uma profundidade que chegava em alguns pontos 45 metros. Era por todos chamado de mar. Mar de água doce, de um azul cobalto, alimentado pelos rios Sir Dária e Amu Dária. Ambos nascem no Planalto de Pamir também conhecido por  "telhado do mundo", na Ásia Central. Esta região com uma beleza incomparável, também chamada de   "montanhas celestiais".  Os dois rios  são conhecidos por "rios do paraiso". Não confundir com os dois rios que que servem de limite no Jardin do Éden, da mitologia cristã. Oriundos do derretimento de geleiras  das montanhas que chegam a 4500 metros de altura. A palavra "dária" significa "grande rio" ou simplesmente "mar". O Amu Dária é o maior rio da Ásia Central e o seu irmão Sir Dária está entre os 30 maiores rios do mundo. A força das águas vindas das montanhas originou o Mar de Aral.  O "mar deserto" fica entre o Cazaquistão e o Uzbequistão. Os dois países era beneficiados pelo mar que gerava emprego com a pesca, que era abundante. Ali navegavam grandes navios pesqueiros e havia a indústria do peixe.  O mar equilibrava o clima e amenizava os ventos siberianos e havia as quatro estações. A partir de 1930 os habitantes desenvolveram a cultura do algodão e fizeram canais que se iniciavam  nos rios. Os canais no caminho perdiam a água que se evaporava e se infiltrava no solo. Os produtos químicos usados na lavoura foram parar no Mar de Aral, provocando salinização e infiltrando no solo deixando as águas contaminadas. Morreram os peixes, morreram a fauna selvagem. O câncer elevou-se a nível de epidemia. O mar adoeceu e secou. No lugar da água existe areia e sal. Ainda existe na parte que era mais profunda água com muito sal. A cultura do algodão também definhou pelas terras contaminadas e pelo deserto. Em lugar de vento fresco há verões de quase 50° e invernos de menos 30° e sem data para acabar.Tempestades de areia também faz parte da região. Como diz o gaúcho: "nem mel, nem porongo". Expressão usada quando a erva-mate e o mel subiram de preço. O porongo é o mesmo que  cuia e o mel era colocado no mate para as mulheres e crianças. Aqui também temos rios e riachos agonizando... "nem mel, nem porongo".
Esta imagem foi tirada da Internet. Espero não estar infringindo qualquer direito, no momento solicitado devolverei.

domingo, 10 de abril de 2011

O TESOURO DO LAGO DE PRATA - Carl May

    Carl Friedrich May, nasceu em Radebeul, na Alemanha. Maio incorporou seus personagens a ponto de confundir o leitor. Escreveu este livro em 1891 após ter viajado para os Estados Unidos e ali viveu com o índio, o negro e o yankee. Era poliglota, e aprendia a língua viajando. Fez um romance de aventura, o melhor entre todos escrito por ele, escreveu na terceira pessoa. Pré-moderno, seus personagens são criados a partir de uma vivência com as viagens e assim  adjetivando-os como: altos, magros, barbudos, ruivos,  vai dando forma a cada um e surprendendo o leitor. Colocou-os em um navio  e aos poucos vão se conhecendo de forma que o leitor fica de cabelos em pé: o Mão de Ferro (homem forte), o Mão de Fogo (bom no gatilho) e o ruivo Brinkley?
   __ "Cruzes! Se aquele não é o ruivo Brinkley, quero ser enfumaçado e devorado com toda a casca. Tomara que ele não me reconheça!"
     A maioria dos personagens eram yankees e havia também o Coronel. Encontravam-se ali os respeitáveis Nintropan-haney e o seu filho Nintropan-hoomosch. Eles eram nada mais que dois nômades que vagavam pelas planícies e montanhas americanas, sem destinos: o "Grande-Urso" e o "Pequeno-Urso". Também a bordo o "alemão". Era o Preto Tom "célebre rafter".
     O navio era um saco de gatos, ou melhor um gatinho viajava ali. Dizia o proprietário do gato: acalmem-se cavalheiros, é apenas uma pantera negra, com três metros de comprimento, com três anos de idade e come um carneiro por dia. Ela dorme no caixão de madeira e alguém esbarrou nele. A pantera havia rosnado e fez o navio estremecer.
     Assim prosseguia a viagem de sobressalto em sobressalto. Uma bela leitura. Confira a qualidade literária de Maio.