domingo, 31 de janeiro de 2016

DELFIM NETTO - "Todos somos cínicos".

Foto de Tuca Teles."Delfim Netto não acredita que um "mau Governo" seja motivo para a troca de presidentes antes da eleição. Tampouco, que o impeachment é a solução para a retomada do crescimento do país, mas, independentemente de quem esteja no poder, a presidenta Dilma Rousseff ou seu vice Michel Temer, o desafio será o mesmo: destravar o impasse político no Congresso."

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

FORA DE CONTEXTO - Ecos de Jacque Derrida

                    DESCONSTRUÇÃO E ÉTICA
     "[...] o direito, como instância decisória suprema, tem de decidir com base no texto da lei. O juiz não pode denegar a justiça alegando insuficiência da lei, nem pode decidir sem fundamentar juridicamente sua sentença. Nesse momento, aparece a responsabilidade extrema do pensamento crítico no direito: devemos interpretar e decidir mesmo na ausência do autor do texto, do destinatário e do próprio contexto. Mas uma determinada interpretação sempre tende a se impor sobre as demais, visto que a linguagem jurídica, como toda a linguagem, é opressora, busca o sentido correto, tende a congelar uma interpretação específica em detrimento de todas as outras possíveis, em nome da verdade, do sentido autêntico, da segurança jurídica. Como é possível sair da linguagem, e todo ato de interpretação é repressor, então não há como esperar por um direito justo. Assim, a verdadeira postura ética diante do direito está em decidir não decidir, ou seja, decidir continuar ajuizando, produzindo juízos sem cessar. O homem decidido entra na lei e pode tornar-se um monstro. A extrema responsabilidade é, portanto, não decidir, assumir a responsabilidade única de cada escolha, tomar posições mantendo sempre aberta a possibilidade de novas interpretações.
     [...] Como afirma Derrida, a justiça precisa do direito, da força de lei, da lei enforced, da law enforcebility. Isso porque ao mesmo tempo em que o direto se descontrói - como tudo construído pelo homem se destrói - e deve mesmo ser deliberadamente desconstruído, a justiça só pode ser pensada nesse intervalo entre a desconstrução (que é justiça) e o direito (que é o cálculo). É justo que haja lei, e não podemos escapar dela.
    [...] Essa leitura me leva a pensar que pensamento jurídico-político-brasileiro atual, pode ser desenvolvido no campo da interpretação jurisprudencial, ou seja, nas margens do poder decisório conferido aos juízes e tribunais. Esse espaço da decisão jurídica, da interpretação do texto legal defendida nos tribunais, corresponde a uma margem  de liberdade positiva para que o direito incremente sua relação com a democracia e com a justiça social."
   Obs. Pode-se ressaltar que o direito positivo brasileiro repassado do romano para o francês, cabe ao Judiciário a tarefa da interpretar as leis  e aplicá-las  de modo fiel.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

EU ACUSO...! E O PROCESSO DO CAPITÃO DEYFRUS - Émile Zola/Rui Barbosa

CapaÉmile Zola, nasce em 1840 em Paris e morre em 1902 por um escapamento de gás, quando dormia, também em Paris. Era odiado pela sociedade de direita, mas não ficou comprovado o assassinato vinculado ao acidente na época. Agitou a sociedade parisiense depois de escrever J'accuse (Eu acuso) em 1898 pedindo a absolvição no "Caso Dreyfus" e publicado no Jornal L'aurore com o título de: LETRE AO PRESIDENT DE LA REPUBLIQUE. O  capitão, Dreyfus, do exército  fora condenado por um crime que não havia cometido e que envolvia poderosos do exército da França e fora dela. Três anos antes da condenação, Rui Barbosa escreve um artigo na Inglaterra  se referindo a acusação de Dreyfus três anos antes de Zola que se pode ler em um pequeno livro Émile Zola,  Perante a inteligência do grande jurista há quem diga que foi ele quem absolveu o capitão. O artigo escrito por Rui foi lido no Brasil e publicado em Buenos Aires e não se tem prova de que tenha chegado até Paris.  Rui enviou lições ao nosso Judiciário: "Como quer que seja, na Inglaterra a forma inquisitória dada em França a esse julgamento seria hoje impossível. O Times, a tradição  viva deste país, exprimiu o sentimento inglês sobre o assunto num artigo memorável. Não sei resistir ao prazer de transcrever-lhe os trechos capitais. Fá-lo-ei, porque, além de tudo, nenhum país necessita mais de lições como esta do que o Brasil destes dias."  . Perante a inteligência do grande jurista há quem diga que foi ele quem absolveu o capitão. O artigo escrito por Rui foi lido no Brasil e publicado em Buenos Aires e não se tem prova de que tenha chegado até Paris.   e a ganância pelo poder.

MEXENDO COM LIVROS: O OURO COMO REGULADOR DO MERCADO

MEXENDO COM LIVROS: O OURO COMO REGULADOR DO MERCADO: " O ocidente pode consumir quantos esforços e recursos deseje para engordar artificialmente o poder de compra do dólar, baixar os pre...

O OURO COMO REGULADOR DO MERCADO

"O ocidente pode consumir quantos esforços e recursos deseje para engordar artificialmente o poder de compra do dólar, baixar os preços do petróleo e baixar artificialmente o poder de compra do dólar. O problema, para o ocidente, é que os estoques de ouro físico que hoje estão no ocidente não são ilimitados. Assim sendo, quanto mais o ocidente desvalorize o petróleo e o ouro em relação ao dólar norte-americano, mais depressa o ocidente perde, porque desvaloriza o ouro que guarda em suas reservas finitas. Nessa jogada brilhante de combinação econômica que Putin ativou, o ouro físico que sai das reservas ocidentais está rapidamente fluindo para Rússia, China, Brasil, Cazaquistão e Índia, os países BRICS. Ao ritmo atual de redução de reservas de ouro físico, o ocidente simplesmente não tem tempo para fazer qualquer coisa contra a Rússia de Putin, antes do desabamento e colapso de todo o mundo do petrodólar ocidental. No xadrez contra o relógio, a situação em que Putin meteu o ocidente – com os EUA à frente – chama-se “falta de tempo“, em alemão Zeitnot"
    Marx fala do processo de dissociação entre o valor do ouro, os quilates do seu peso nominal e seu peso real, pois converte a essência do ouro e da moeda em aparência de ouro, o que chama de desmonetização. Ouro com aparência de verdade converte a moeda em mero símbolo de uma quantidade de metal que "oficialmente" nos é dita. Na Alemanha do século XIX é assim, no Brasil do século XXI, também, porque aqui encontramos os pobres, os muito pobres e àqueles que vivem abaixo da linha da pobreza, que sabem que há algo errado, mas não sabem como agir perante a diferença entre eles e a burguesia.
     Para o dinheiro funcionar como moeda será necessário, também fazê-lo circular e vai depender do tipo de moeda, ou seja o peso do ouro vai dar nome ao dinheiro no mercado , que vai enfrentar. Este preço e o nome depende da circulação como se fosse uma peça dotada de um nome qualquer. Atualmente o nosso ouro, ou metade dele desaparece nas mãos dos exploradores e isto corresponde aproximadamente 2,4 milhões de onças troy ao ano (3,6% do total mundial) fica de fora do balanço de pagamentos  e de fora do regulador do PIB, pois a extração de minérios é responsável aproximadamente 3% do PIB brasileiro, porém no produto final chega a 29% e em alguns casos os minerais transformados como nas industrias automobilísticas, eletônicas, eletrodomésticos ou na construção civil participam com 40% na economia do país. Marx, sempre atual, quando fala que temos que respeitar nossas reservas e delas nos manter. Se for viajar compre euros e os troques pela moeda local. O papel moeda não pode valer mais que o ouro, assim damos um basta ao dolar e consequentemente ao valor do euro que está acima do valor do ouro.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

RIO CITARUM - Rio morto

No arquipélago indonésio, com um amontoados de ilhas se destaca, Java onde fica a capital Jacarta. No monte Wayang, na mesma ilha nasce o rio Citarum que por mais de 500 anos a.C. fornecia água para os habitantes da ilha. Ele precorre uma distância de 300 quilômetros e serviu a população até o século passado, com abundância de peixes e um recurso hídrico de grande importância na região que percorria, sustentando a agricultura. Hoje ele é batizado como o rio mais poluído do mundo: com a explosão asiática, ninguém ficou de fora, nem as ilhas paradisíacas, assim a ilha não foi poupada das indústrias e fábricas que se instalaram no decorrer do século XX. O rio serviu de despejo dos grandes capitalistas, e a importância do rio foi deixada de lado, o povo usado na mão de obra barata, nenhum tratamento para sanear os males que vinham fazendo ao rio e a população. De costas voltadas para o sofrimento humano, com a saúde em risco, só resta catar lixo para matar a fome. Aproximadamente 500 fábricas se utilizaram da região para se estabelecer. O rio serviu de despejo de detritos ameaçando qualquer ser vivo que por ali passe. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

MEXENDO COM LIVROS: RIO CITARUM - O MAIS POLUÍDO DO MUNDO

MEXENDO COM LIVROS: RIO CITARUM - O MAIS POLUÍDO DO MUNDO: POR QUE O CAPITALISMO NÃO DEU CERTO? No arquipélago indonésio, com um amontoados de ilhas se destaca, Java onde fica a capital Jacarta. ...

RIO CITARUM - O MAIS POLUÍDO DO MUNDO

POR QUE O CAPITALISMO NÃO DEU CERTO?
No arquipélago indonésio, com um amontoados de ilhas se destaca, Java onde fica a capital Jacarta. No monte Wayang, na mesma ilha nasce o rio Citarum que por mais de 500 anos a.C. fornecia água para os habitantes da ilha. Ele precorre uma distância de 300 quilômetros e serviu a população até o século passado, com abundância de peixes e um recurso hídrico de grande importância na região que percorria, sustentando a agricultura. Hoje ele é batizado como o rio mais poluído do mundo: com a explosão asiática, ninguém ficou de fora, nem as ilhas paradisíacas, assim a ilha não foi poupada das indústrias e fábricas que se instalaram no decorrer do século XX. O rio serviu de despejo dos grandes capitalistas, e a importância do rio foi deixada de lado, o povo usado na mão de obra barata, nenhum tratamento para sanear os males que vinham fazendo ao rio e a população. De costas voltadas para o sofrimento humano, com a saúde em risco, só resta catar lixo para matar a fome. Aproximadamente 500 fábricas se utilizaram da região para se estabelecer. O rio serviu de despejo de detritos ameaçando qualquer ser vivo que por ali passe. 


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

MEXENDO COM LIVROS: NÃO PODEMOS JANTAR O CUNHA, JANTAMOS O AÉCIO (ESOP...

MEXENDO COM LIVROS: NÃO PODEMOS JANTAR O CUNHA, JANTAMOS O AÉCIO (ESOP...: Sempre lembro Esopo  quando me deparo com situações em que posso encaixar alguma fala dos animais, em uma situação presente. Foi um fabul...

NÃO PODEMOS JANTAR O CUNHA, JANTAMOS O AÉCIO (ESOPO)

Sempre lembro Esopo quando me deparo com situações em que posso encaixar alguma fala dos animais, em uma situação presente. Foi um fabulista e contador de histórias  que viveu por volta do século VI a.C. na Grécia e são atribuídas a ele longas viagens por vários lugares longe da dali, o que pode ter contribuído para ser um contador de fábulas. Criou fábulas envolvendo animais com fala de pessoas e de cunho moral. São as conhecidas fábulas de Esopo. Nada prova a sua existência e nenhum manuscrito foi encontrado, somente três séculos depois os contos que foram passando de geração em geração de forma oral numa tradição, foram escritos. 
 O  filósofo Demétrio de Falero, em torno do ano de 325 a.C. governador da Grécia e grande orador, foi quem  coletou as fábulas que vinham de séculos passados: as fábulas de Esopo. Entre as fábulas a mais conhecida é da Lobo e do cordeiro. Para se alimentar o lobo investe sobre o pequeno cordeiro, argumentando ser importunado pela água que o cordeiro turvava, quando bebia. Nenhum argumento serviu para o lobo, como por exemplo: "_ Eu bebo abaixo, enquanto o senhor bebe acima de mim".  Pode-se concluir que para o lobo não importava o animal, mas a ocasião, e na falta  do pai do cordeiro ou do irmão, ele servia como jantar. Não podemos jantar o Cunha, jantamos o Aécio