terça-feira, 19 de março de 2013

MEXENDO COM LIVROS: CALAFATE DE TODOS OS TEMPOS

MEXENDO COM LIVROS: CALAFATE DE TODOS OS TEMPOS: Cheguei a cidade de Calafate pela Areolineas  numa bela tarde do dia 15 de fevereiro de 2013. Um pouso suave às margens do Lago Argentino,...

CALAFATE DE TODOS OS TEMPOS

Cheguei a cidade de Calafate pela Areolineas  numa bela tarde do dia 15 de fevereiro de 2013. Um pouso suave às margens do Lago Argentino, no aeroporto internacional El Calafate. Aguardávamos as malas e agasalhávamos, nós, turistas do mundo inteiro. Ali iniciava a Torre de Babel, termômetro para se medir a qualidade do local que se está visitando. Ainda era cedo e posta a mala no hotel tomei a rua para sentir a temperatura do que seria  estar a 4280 km de distância de Porto Alegre. Calafate fica na região mais austral do nosso continente chamada de Patagônia, que está divida em duas: a  Oeste a Patagônia Andina ou Chilena e ali habita a chinchila e a Leste a Patagônia Argentina, com o plateau ou altiplano até o Atlântico, com um clima que chega ao extremo, com as estepes  e ali habita o puma, o guanaco, lhama, alpaca, vicunha, lebre e condor. O argentino diz  Patagonia  abajo e Patagonia arriba, para definir Norte e Sul da Patagônia e eu estava mais abajo na região que leva o nome de província de Santa Cruz, capital Rio Gallegos, na foz do rio do mesmo nome, cidade que fica a 64 km da província de Terra do Fogo e da travessia pelo Estreito de Magalhães. O nome  Calafate  tem origem nos navegadores do estreito que se serviam de um arbusto (berberis) para extração de  uma resina, para calafetar os navios.  Pelos costões sul do monte Calafate havia capões de berberis, e de olhos atentos pode-se encontrar um pé próximo da cidade carregado de  flores amarelas e vermelhas, o que se deduz que as flores estavam envelhecendo por ser final de verão. Quem está na cidade, está no pé do monte Calafate, que "protege" a cidade dos ventos. Monte de cor alaranjada e ao entardecer era de uma beleza encantadora que no inverno torna-se branco de neve. No apertado vale entre o monte-mesa e o Lago Argentino fica a cidade-vila, com muito verde e flores contrastando com áreas vazias de estepe, morada das lebres. Matilhas de cães e cães solitários ficam a passear e as lebres de orelhas atentas e não caminham, não correm, saltam e cada descida afundavam no capim, uma estratégia. Pode-se avistar alguns raros cavalos afastados dali e ovelhas de lã cinzenta que se confundem com a cor da estepe, que também sabia que a hora estava chegando e aqui e ali  mudava de cor passando do cinza, para o amarelo e para o laranja. Malhas grenás eram avistadas no decorrer do caminho de uma planta rasteira. Ali viviam os ameríndios, o homem pré-colombiano, os índios timbus, deixou suas marcas em cavernas próximas da cidade. O paleontólogo argentino Florentino Ameghino, autor da teoria que homem americano é originário da própria terra e outra  teoria de Alis Hardilick que argumenta que o homem americano atravessou o Estreito de Gibraltar em época de muito gelo. O  "ameghino" o homo sapiens sapiens que ali vivia a mais de 12 mil anos, habitava as cavernas e cabanas, aquecia-se ao fogo. Vivia em sociedades, nômades e eram caçadores-coletores, o que significa que colhiam e armazenavam  alimentos vegetais. A região em determinada estação fica  inóspita, motivo pelo qual eram obrigados a armazenar, como até os dias de hoje. O gelo penetra numa profunidade de um metro abaixo da superficie, ficando inviabilizado a produção de qualquer tipo de alimento e também o acesso a eles pelas condições climáticas.
     Somente no início do século XX, as ruas de Calafate foram marcadas pelas carretas de patagônias, puxadas à bois, que cruzam em épocas de degelo com paradas de 20 em 20 km para descanso e para se alimentar. Procuram se alojar próximo de arroios,  lagunas, encostas de morro, e capões de berberis que serviam de madeira para o conserto das carretas e lenha que era transportada junto com o couro para  o porto de Rio Gallegos. Surgiu assim o primeiro armazém, que dava apoio e auxílio ao carreteiro. Saindo de Rio Gallegos o caminho se bifurcava no vale do rio Santa Cruz, caminho criado pelo o homem primitivo que persiste até os dias atuais. Esta bifurcação acontece quando o viajante deixa a Ruta Nacional 3 e passa para Ruta Nacional 40. A primeira parte de Ushuaia e segue até Buenos Aires e a segunda sai de Rio Gallegos e passa pelo aeroporto de  Calafate  e segue em direção a Bariloche e de lá para a Bolívia. Mais arriba,  junto do rio Santa Cruz o alemão, Charles Fürh, constroe uma paragem para hospedar os viajantes e fazia  a travessia do rio, com uma balsa. Mais tarde ele inicia uma atividade rural e a produção ovina. Ele fazia parte de um pequeno grupo  que por ali se estabelece como: ingleses, iuguslavos e o americano que se dirige para uma região  mais arriba ainda de Calafate, região que lembra para ele o Oeste americano. Estes americanos que deixaram marcas, abandonaram a hostil pátria e partiram assim como chegaram. O primeiro habitante da região, se estabele ao pé do Cerro de Buenos Aires ou Murallón, junto ao Lago Argentino e os próprios argentinos foram se chegando na mesma época. Aquelas paragens, aquelas cordilheiras eram uma pedra no pé da Argentina, com tanta beleza e a questão de limites não estava  encerrada. Aqui nós contamos com Marechal Cândido Rondon, naturalista, indigenista, explorador, que conquista o território de Letícia com a paz estabelecida entre Perú e Bolívia na segunda metade do século passado. Na Argentina é nomeado Francisco Moreno, cientista, naturalista e explorador para o cargo de perito para estabeler questões idênticas as nossas. Tanto Rondon que percorreu toda a nosssa costa que limita com os países vizinhos, Francisco Moreno percorre grande parte da costa Argentina. Acompanhado de um inglês também um perito em questões de limite percorrem a Patagônia, até onde lhes era possível pelas dificuldades, ora pelas altas montanhas, ora pelos lagos gelados. Francisco Moreno conquista para Argentina um pedaço da Cordilheira dos Andes, orgulho dos argentinos.  Perito Francisco Moreno faleceu sem poder atingir e conhecer a beleza que trouxe para a Argentina que além da divisa turística, a conquista territorial. Eu preciso conhecer os limites conquistados. Assim se chega por terra até o Monte Perito Moreno com o glacial do mesmo nome (homenagem a Francisco), ali acaba a Argentina que também pode ser circulada por água num trajeto de 50 Km a Sudoeste e se  chega a maior geleira da região, a Upsala. Esta geleira tem uma frente de 10 km.  São formadas de rios gelados ou estreitos vales que acumularam neves e deram, sem dúvida a origem dos lagos, pode-se ver na base em contato com a água que está oca por baixo. Uma pequena amostra do que foi a idade do gelo ou era do gelo, período de frio extremo e extenso as glaciações com final  próximo de 12.000 anos atrás, quando inicia uma nova era, em termos, porque ainda estamos nesta era apesar dos grandes degelos e há os que defendem o início de uma nova era. Os primeiros animais desta era não resistiram, com exceções dos mamíferos,  mas o homem  conhecedor do fogo, ficou aí para contar a sua história, através da arte rupestre, comum na região. À caminho por terra ao parque pode se avistar os condores dando um show aos turistas e para completar a nossa fascinação, um pousa no acostamento da estrada junto com um gavião. De posse do parque tomamos um barco no primeiro dia que percorre uma pequena ponta do lago descongelado e ficamos a poucos metros da monumental geleira e de volta, caminhamos para o belvedere imenso, para avistar a geleira de cima, com eco nas montanhas se o gelo disprendido for grande, que se ouve a quilômetros de distância. Desprende da geleira anualmente, um quilômetro de gelo dos  250 km² que possui.  Nesta hora o barco  se  eleva na onda que se forma,  passada a primeira, aparece a segunda e a terceira, mas já sabia que era certo o desprendimento porque ocorre várias vezes ao dia e sabia também do aparecimento da onda. Pode acontecer de subir até dez metros, mas a nossa chegou à menos de três, com a aproximação do barco fiquei na expectativa, sem saber se iria arrebentar como acontece no mar. Não arrebenta, mas dá medo. Ainda nesta região se o turista dispor de tempo poderá visitar outras geleiras depois de circular o Lago Argentino em direção ao aeroporto, seguir para o Oeste e pedir uma informação: "(...) sobre el camino estrecho, escarpado, montãna arriba, ha caido la nieve una noche entera. Este é primeiro aviso. El agosto sendero (tempo limpo, céu azul), caracolea, gira a la izquierda, vuelve a la derecha, se tuerce y se retuerce, y se empina, siempre. Y sube, sube. Segundo aviso, sempre com um guia. Abajo, se desapare el valle, ante la severa belleza del cuadro, el alma se encolhe primero y, despues, se dilata y se extasía. Terceiro aviso, sempre encapotado. El frío silencio ha invadido todo: la tierra y el aire, el abismo, las sombras y el cielo. Quietud."  Último aviso, o perigo, o abismo e a ausência do ser humano.









     Algumas "dificuldades linguísticas" vamos encontrar. Para comprar banana, peça banana, lápis peça lápis, lapiseira peça cartucheira. Peça papa para batata, ou batata e peça pasta com salsa, para comer massa com guisado e salsa. Seja gentil e diga ao garção: "es mui rico" e você esta dizendo que o prato servido te alimentou, é muito rico. Importante é sair encapotado, para comprar camiseta, peça camiseta. Para sentar-se à mesa diga ao garção: mesa, arroz, café, peras, compotas, churrasco, pescado, comida. Peça também um garção gaúcho e ele lhe servirá  um alimento ainda, "más rico". Nem tudo são rosas. No hotel mal abri a boca, o recepcionista não enteu nada, nem de onde vim e nem para onde vou e lascou o inglês. Com um Y not speak English, speak en Spanish, começamos a nos "entender". Entendia zona por Sônia e aí ficava "tudo bem". Precisei de um táxi, só se fosse para fazer um tour, por 300 pesos. Antes da partida para o aeroporto uma turista me disse que havia uma conexão por conta do hotel para o centro. Não fui avisada. Conversei com um dos encarregados do hotel que só nos víamos um dia sim e dia não e falei que não conheci o centro, apenas de passagem, mas fiquei com cães, lebres e ali também mora o lixo. Deixei o protexto em dois formulários diferentes. Despedímo-nos.
 
Bibliografia: Cazadores de Imágenes de Osvalfo Mondolo e fotos   
                     de Snapshot Hunters
                      Difusion de la lengua española de Idel Becker
 

quinta-feira, 7 de março de 2013

MEXENDO COM LIVROS: ZIZEK - Menos que nada

MEXENDO COM LIVROS: ZIZEK - Menos que nada: Slavoj Zizek, filósofo, psicanalista, tradutor e escitor entre  outras ciências, é um esloveno. Em resposta ao meu email a Fundação Lauro ...

ZIZEK - Menos que nada

Slavoj Zizek, filósofo, psicanalista, tradutor e escitor entre  outras ciências, é um esloveno. Em resposta ao meu email a Fundação Lauro Campos disse que as vagas estavam esgotadas na Câmara Municipal de Porto Alegre, mas que a transmissão da conferência poderia ser assistida pela TV Câmara. Todos postos com fones de ouvido e tradução simultânea, menos que nada, de frente ao psicanalista marxista. Nós, os outros confortavelmente estirados com uma tradução feita em cima da voz de Zizek, menos que nada. Tablet sobre o travesseiro em bloco de notas. A umidade do ar penetrou fundo no corpo do filósofo e  foi lançada para fora no momento em que começa a falar. Ninguém se prontifica para alcançar nem que fosse uma folha de ofício para o conferencista se secar. Zizek em resposta ao seu estado alérgico, precisava atender o nariz, e na camiseta  esfregava rapidamente os dedos e por vezes no cabelo. Nuca molhada, franja molhada, camiseta molhada, e um corpo alérgico o fazia dar uma sacudida no tórax a cada palavra pronunciada.  Eu transitava entre o consciente e o subconsciente, desligo, não desligo, levanto o volume ou abaixo o volume, escuto menos que nada. O que disse afinal, segundo meu bloco de notas: notícias da morte de Chávez, o dinheiro como solução para qualquer problema, o que Marx aborda, em O captal: "Não é o momento de sermos críticos com ele, agora"; o Freud, o  inconsciente, o sexo, não importa  se homem com  homem ou mulher com outra mulher, a fidelidade como piada ou como uma patologia; a Europa central e os EUA  veem o casamento tradicional como uma instituição subversiva, ou seja junta e separa e   separa e junta, bem administrada, seria muito bom. Percebe-se que aqui há uma  confusão entre uma instituição familiar com a instituição como organização política marxista, que era realmente o tema em questão. Era o retorno da transmissão. Anotei a palavra corruption.  O nosso conferencista, eu o comparei com uma panela de pipoca que os grãos começam estourar e não se tem uma tampa à mão, àquela angústia de atender a panela e atender o nariz, fez de mim, menos que nada.  A democracia vista como um perigo, pede que não confundam com sistema institucionalizado.  Uma democracia onde a sociedade seria coesa, participativa até que se poderia  levar adiante.Viaja, é isto mesmo, por todos os países, com passagem comprada, mas também viaja na hora da conferência, era a pipoca. Bom contador de piadas, até ligo para o meu filho e arrisco contar duas. Por que só duas? Ele avisa são sujas. Meu filho do outro lado do fio, sempre quer uma mãe de boca limpa, uma mãe para dar exemplo para a neta e para todos, perde a fala. Eram piadas envolvendo sexo, como àquela do último pedido dos apóstolos para Deus, na véspera da crucificação de Cristo, como recompensa por tudo que ele fez de bom, pelas curas. Claro é, que Deus mandou, então, Maria Madalena...A piada segundo Zizek foi contada na Palestina pelos estudantes de lá. Fala de cinismo, da crítica, exausto diz: não fiquem esperando que eu vá dizer o que penso sobre as modalidades diversas entre os casamentos, porque eu não vou dizer e nem pode: o Elton Jones estava na cidade, coincidentemente. Não deixe de ler Menos que Nada: Hegel e a Sombra do Materialimo Dialético. Traduz O capital o que estamos precisando, mas não fala uma palavra em português, ou eu entendo, menos que nada. Pede desculpas pelo inglês imperialista, e fala de um encontro com indianos que falam inglês e pergunta se eles não teem um idioma próprio, ainda com os  pés no colonialismo ou no imperialismo.E a Carla Perez que perdeu  a conferência com o Marx, pode ainda assistir em outra capital, mas cuidado, o economista é traçador. E a Lady Gagá ressuscitou ou foi o Cristo?

















































domingo, 3 de março de 2013

MEXENDO COM LIVROS: MUSEO DO MAR JUNTO AO PINICÃO

MEXENDO COM LIVROS: MUSEO DO MAR JUNTO AO PINICÃO:  Com parceria com Prefeitura do Rio de Janeiro a Rede Globo entregou ao povo um museo que custou 79,5 milhões de reais. Reais ou real é p...

MUSEO DO MAR JUNTO AO PINICÃO


 Com parceria com Prefeitura do Rio de Janeiro a Rede Globo entregou ao povo um museo que custou 79,5 milhões de reais. Reais ou real é pura realidade, já tem quem chame de Museo MAR DE LAMA. O Merval Pereira, com este nome, que também já começo a duvidar, pode até ser pseudônimo, já que o Merval juntou alguns recortes de jornais e revistas e escreveu um livro, estava lá. Há quem chame de meio livro. Que injustiça! O Merval, também conhecido por jornalista, àquele que foi para a Academia Brasileira de Letras, foi xingado e o carro chutado. O carioca estava insatisfeito com o quê? Não era a Globo que estava entregando o museo? Vamos às contas: o museo custou 80 milhões, a Prefeitura entrou com 62 milhões, o Pronac com 14 milhões e ficou faltando apenas 3,5 milhões que foi completado pela família Marinho. Eu estudei no livro "O Homem que calculava" de Malba Tahan e não posso ter me enganado, mas e Merval por que foi chutado? E na Copa como é que fica? E o pinicão do Rio, quando vai ser despoluído e toda a lama retirada Prefeito Eduardo Paes?