domingo, 21 de setembro de 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

UTOPIA - Tomas Morus

                        PRIMEIRO LIVRO
     O autor nasce em Londres em 1478 e decapitado em 1535 no reinado Henrique VIII. Utopia é editada em Basileia (Suiça) por seu amigo  Erasmo de Rotterdam, que conhece em Oxford, onde estuda e desta amizade o amigo lhe faz uma dedicatória com o livro "Elogios da Loucura" que se pode ler numa carta enviada a Morus.
    "Encontrando-me, há dias, de retorno à Itália, para a Inglaterra, para não despender todo o tempo da viagem em insípidas fábulas, dei preferência em distrair-me, já voltando o espírito para os nossos estudos comuns, já relembrando os sapientíssimos e igualmente muito agradáveis amigos que eu deixava ao partir. E foste tu, caríssimo Morus, o primeiro que surgiu ao meus olhos, visto como, não obstante tamanha distância, eu via e conversava contigo com idêntico prazer, que em tua presença costumava sentir e o qual juro que não experimentei maior em minha vida. Não querendo neste interregno, ser tido como indolente, e não me parecendo serem as circunstâncias apropriadas aos pensamentos sérios, achei que me convinha divertir-me com um elogio da Loucura? _ indagarás a mim. Pelo motivo que segue: no início fui dominado por essa fantasia devido ao teu gentil sobrenome, tão idêntico a Moria (loucura em grego) quanto em realidade estás distanciado  dela e, certamente, mais distante sobretudo do conceito que se tem dela [...] Contudo, por que razão hei de te dizer todas essas coisas, se tu és eminente advogado, capacitado de modo egrégio ainda as causas menos propícias? 
      Sem mais, eloquentíssimo Morus, faço votos que estejas no gozo de tua saúde e tomes com todo ânimo a parte de tua loucura". VILA, 10 de junho de 1508. 
       O autor é um parlamentar do reinado de Henrique VIII, e foi enviado a Frandes, para tratar de uma missão "uma querela", com o príncipe Carlos, em Castela, em Burges na Espanha. Além de advogado o autor cria uma personagem versada em Filosofia, sua paixão, esse lhe é apresentado pelo seu amigo Pedro Gil, cidadão antuerpense, o português e navegador Rafael Hitiodeu. Ele é conhecedor do latim, "fê-lo cultivar ainda a língua de Atenas de preferência à de Roma". Assim a personalidade de Rafael, que ele chama de "meu antagonista", a certa altura do texto, dois vultos na presença de Pedro Gil, se sobressaem de maneira conhecedora dos problemas sociais, as suas histórias irão servir para elaboração de um segundo livro e apenas algumas pinceladas sobre a Filosofia romana como algumas passagens sobre Sêneca e Cícero.
O autor não vê necessidade de perguntar a Rafael sobre Cila, Celenos e Lestigões, monstros ou pessoas mitológicas "comedores de gente". Encontrei em Homero, na Odisseia versos que provam a "existência" destes últimos:
"Inclinou-se Telêmaco a Minerva,
 Dizendo à puridade: "Hospede caro,
 Vou talvez enfadar-te? Eles só curam
 De cantigas e danças, porque impunes
 Comem do alheio, os bens do herói consumem
 Cuja ossada ou jaz podre em, longas terras..."(Livro I, v. 129 a 134)
     Esta referência, "os comedores de gente", era a terrível ironia as guerras, onde tombavam pessoas e que o autor denominou também de "animais carnívoros" que a França aprende a sua custa.
   Cita o narrador: "O que é raro, é uma sociedade sã e sabiamente organizada". E este pode tema desta história.      Encontra-se um discurso em primeira pessoa, tanto no singular como no plural:
   "Um dia eu estava em Notre-Dame [...] dou de cara com Pedro Gil que conversava com estrangeiro, já idoso".
   "Sobre estas questões nós o importunamos com perguntas intermináveis [...] 
   Nesta obra encontra-se uma crítica ao reinado inglês e uma análise dos governos por onde o antagonista percorre. O autor  mostra a riqueza dos príncipes, do clero, daqueles que crescem nos feudos e o distanciamento  da vida dos miseráveis: "A principal causa da miséria reside no número excessivo de nobres, zangões ociosos, que se nutrem do suor e do trabalho de outrem e que, para aumentar seus rendimentos, mandam cultivar suas terras, escorchando os rendeiros até a carne viva". Desta passagem se extrai a causa da miséria, a sua existência no trabalho do campo e a ociosidade daqueles que se nutrem do suor destes com vida palaciana, mostrando o antagonismo de classes ou a dicotomia: riqueza e miséria. Aqui extraí-se o pivô da tragédia dos governantes, no caso os dois Reis de que cita o autor: Henrique VII e Henrique VIII, o objeto principal, a discussão do narrador com seu antagonista, a miséria que reina que deste ponto do objeto,  pode-se de chamar de raiz, com algumas bifurcações como a fome, o crime e as condenações.
   Vê-se uma narrativa feita de reflexões profundas, um balanço de tudo que vivenciam: "Examinando cada forma de governo, analisava, com uma sagacidade maravilhosa, o que há de bom e verdadeiro numa, de mau e de falso noutra". Procuram juntos, e Pedro Gil fazia parte, de uma solução para a governabilidade e sonham com um lugar onde houvessem harmonia, com uma sociedade humana "organizada de modo a garantir para cada um uma igual porção de bens". Um lugar, uma ilha com o nome de Utopia, nome inventado pelo autor e retirado de um conquistador que se apoderou da  ilha, Utopus. Nesse primeiro livro por mais de uma vez é citado um segundo que será descrito por Rafael, depois de ouvir todas as aventuras na linha do Equador,  com animais, povos ferozes e muito calor, por terras afastadas com animais mais mansos e a presença do verde. Esse aceita o convite:
      "_Com muito gosto, respondeu Rafael; essas coisas estão sempre presentes  à minha memória; mas a narrativa exige tempo".

                          SEGUNDO LIVRO
     No primeiro livro o autor fala de Henrique VII,  mas também de uma miséria e sofrimento que brota de todos os lados, fruto de uma sociedade em decadência nas mãos do clero que possuiam muito mais da metade das terras (os feudos) juntamente com os nobres.
  No Segundo Livro, a convite do narrador, Rafael promete fazer a descrição desta ilha com muito gosto, mas avisa que precisa de muito tempo. O narrador pede, que "descrevei-nos os campos, os rios, as cidades, os homens, os costumes, as instituições, as leis, tudo o que pensais que desejamos saber, e, acreditai-me, esse desejo abarca tudo que ignoramos." No emprego do verbo descrevei-nos, aoarece o desejo de um narrador oculto, quando se ausenta e coloca alguém para narrar.
  Inicia a descrição: "O QUE VOS DIGO EM VOZ BAIXA & AO OUVIDO PREGAI-O EM VOZ ALTA & ABERTAMENTE."
  O narrador oculto, é  ameaçado pelo Rei Henrique VIII, escreveu o livro em latim e ao ser traduzido fica as marcas da língua: "O QUE VOS DIGO EM VOZ BAIXA & AO OUVIDO" é a revelação de um desejo que não pode extravasar naquele momento, já que está envolvido na corte inglesa não será perdoado pela crítica dos desmandos do Rei, mas implora "PREGAI-O EM VOZ ALTA & ABERTAMENTE." Nesta oração ele emprega o Imperativo afirmativo, de forma invocativa. Esta é a intenção do autor: primeiro o silêncio e depois a palavra revelada para todos no momento certo.
  Encontra-se um  narrador-onisciente, narra em  terceira pessoa: "O mar enche esta imensa bacia [...]; A entrada do golfo é perigosa por causa dos bancos de areia." Aqui dou dois exemplos de um narrador conhecedor da história, embora fictícia, assim como vamos encontrar momentos em que ele sai deste anonimato para surpreender com intromissões de fala e neste caso entra a primeira pessoa: "Aqui espero uma série de objeção e apresso-me em rebatê-la" ou "Ora o que afirmo em Utopia está provado pelos fatos." O narrador emprega o Presente do Indicativo de forma ilocutória ou apelativa num discurso indireto e a resposta é dada por ele mesmo: "está provado pelos fatos". Aqui "fatos" neste segundo livro são baseados no primeiro com uma história real, vivida pelo narrador e pelo antagonista, que o autor perpassa para o leitor com uma aparência mais próxima da realidade nos reinados na Inglaterra e fora dela, agora "fatos" passa para um mundo imaginário, uma fantasia vivida para levar ao leitor a um pedaço de terra que se desliga do continente chamada Abraxia, onde a sociedade pode ser diferente, assim como muito mais tarde escreveu Marx, um socialismo onde todos podem viver de maneira igualitária. Ele cria uma ilha que não foge os padrões das ilhas do Canal da Mancha, tem seu lado bom, um centro com águas calmas, uma bacia com vasto porto, mas com uma entrada com bancos de areia e dos escolhos. Fala de um rochedo visível que me vez lembrar Victor Hugo em "Os Trabalhadores do Mar", que enfrentam os rochedos nas idas e vindas pelo canal ou também a Ilha de Fernando de Noronha, descrita por Rafael, com águas calmas, conhecida por Américo Vespúcio.
 Ali um conquistador de nome Utopus, apodera-se dela e dá-lhe o  nome Utopia, com os habitantes, os utopianos. 
 Nesta ilha, nem tudo é perfeito, mas qualquer rebelação "eles expulsam esta nação da região que querem colonizar, e, se preciso empregam, para tal, as forças das armas". Por duas vezes houve peste e "a população do lugar diminuisse a ponto de não poder ser restabelecida sem romper o equilíbrio e a constituição das outras partes da ilha..."
  Este narrador trás à tona o idoso e que até os dias de hoje é respeitado na Inglaterra e este país está colocada entre os primeiros do mundo com a permanência dos avós dentro do lar juntamente com a família. Em Utopia vemos um idoso, que "preside a família", com honras de lugar na mesa e o melhor pedaço de alimento que por sua vez divide para o próximo. Os chineses vê no idoso aquele conhecimento impírico,  que veio construindo através das experiência vividas, sem por em xeque o grau de instrução, assim também o escritor foi tomado desta mesma consciência que atravessa os mares com os navegadores. O respeito com os mais velhos.
  O autor, em uma passagem narra  que na lavoura há dois escravos e agora,  estes mais: "Os escravos são encarregados dos trabalhos de cozinha mais sujos e penosos". Esta tomada de consciência de acabar com a escravidão ainda não se passa pela cabeça do narrador e mesmo nesta República de direitos aproximados os escravos não foram extintos, mesmo que o governador e idealizador da ilha quer o bem para todos, já que a narrativa se opõe a do Primeiro Livro onde há uma escravidão quase que na totalidade do povo. 
 "Os embaixadores traziam uma vestimenta rica e suntuosa...que era a marca vergonhosa da infâmia, o brinquedo da criança."Eles são vistos quando entram na ilha, que "sem lhe dar mais atenção do que os lacaios e os olhavam com piedade". Foram humilhados porque os escravos estavam cobertos de ouro e "despojaram-se apressadamente do fausto que tão orgulhosamente tinham exposto". A intensão do narrador como embaixador que no Reinado da Inglaterra é de que esta ideologia de se despir do ouro irá levá-los a igualdade como os demais da população e o autor conhece muito bem os gastos do seu Reinado.
  Marx, em O Capital, fala da extração do ouro, das pedras preciosas e vive de perto morando na Inglaterra a extravagância dos poderosos e a exploração dos operários. Cita o narrador de Utopia: "Admiram-se que o ouro, inutil pela sua própria natureza, tenha dquirido um valor fictício tão considerável que seja muito mais estimado do que o homem; ainda que somente o homem lhe tenha dado este valor e dele se utilize, conforme seus caprichos". Para quem pense que a Filosofia econômica de que fala Marx partiu dele, enganam-se porque acima de tudo é um pesquisador. Veja a minha conclusão do trabalho sobre El capital: "Um brilhante, uma esmeralda ou qualquer pedra extraída, deve valer não só pelo valor da pedra, mas acrescida ao valor, o trabalho daquele que a extrae, o que não acontece nem aqui e nem na China".
   "Que dizer dos avarentos que acumulam dinheiro e mais dinheiro, não para o seu uso, mas para    se consumir   na contemplação de uma enorme   quantidade de   metal?   O prazer desses ricos miseráveis não é   pura quimera?"           O narrador fala de uma estupidez escessiva de    enterrar seus escudos, de enterrar o ouro,    chama-os de  avarentos, isso para ele é o mesmo que roubar e    que   chama     de "depósito confiado à terra."
    Encerro e faço um convite para que leiam  Utopia,  assim  como  O príncipe de Maquiavel ou a República de Platão.  

































domingo, 14 de setembro de 2014

sábado, 13 de setembro de 2014

A DESOBEDIÊNCIA CIVIL - Henry David Thoreau

     Em 1845, Thoreau, pensador norte-americano, aos 38 anos depois de escrever: An Excursion to Canadá, Excursions, The Maine Woods, a Natural History of Massachusetts e sir Walter Raleigh, sai do povoado de Conrad no estado de Massachusetts e vai morar às margens do lago Walden por dois anos e meio.
     Retira-se do convívio social pelo tempo que lhe foi necessário: "Deixei a mata por uma razão tão boa quanto a que me levou para lá. Talvez me parecesse que eu tenha várias outras vidas para viver e não podia dedicar mais tempo àquela." (Walden, 140)
     Quando ainda morando em Walden em 1846, assim narra em seu livro: "Numa tarde, terminando o primeiro verão, quando fui ao povoado para pegar um sapato no conserto, fui detido e preso, como contei em outro lugar, não paguei um imposto, ou seja, não reconheci a autoridade do Estado que compra homens, mulheres e crianças como gado às portas de seu Senado. " (Walden, p. 167)
     Escreve um ensaio "A desobediência civil" em 1848, contra a cobrança de imposto em protesto a Guerra contra o México e contra a escravidão. "Às vezes eu me admiro como podemos ser tão dignos, frívolos em nos ocupar com a forma de cativeiro - grave, é certo, mas um tanto estrangeira - chamado Escravidão Negra, enquanto existem tantos senhores sutis e ardilosos que escravizam o Norte e o Sul." (Walden, p. 21)
     Inicia protestando enfaticamente: "O melhor governo é o que governa menos." Aqui faz, talvez uma denúncia ou eclarecimento sobre a direção que tomava os governantes do país de Norte a Sul. Esta seria a primeira máxima que vem de encontro com uma outra: "O melhor governo é o que absolutamente não governa." Naquela situação seria bem melhor para uma nação perdida nas mãos sórdidas de seus governantes que eles deixassem o país livre, nas mãos da sociedade. A incompetência dos escolhidos e daqueles que se apresentam como representantes do governo, apenas desgovernam de maneira brutal. Chama de governo "inconveniente", e incoveniente são realmente seus representantes que unidos praticam atos imorais contra o povo igualmente propensos a "abusos e desvios." Abusos e desvios palavras na boca do povo de muitas nações por séculos à fora, haja vista o que acontece nos dias atuais aqui no Brasil, onde uma nação suporta os mais altos impostos do mundo e o dinheiro arrecadado tem um fim que o povo desconhece, apesar de se falar por aqui em transparência. A corrupção em nosso país está também na boca do povo  e está presente de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Escreve que "não havia sido consultado que tal medida fosse tomada", aqui refere-se a prisão , pois o povo norte-americano era tomado de surpresa com as decisões vindas do poder, das leis instituídas pela nação. "Eu não peço a extinção do governo de imediato, mas sim imediatamente, um governo melhor. Deixem que cada homem expresse o tipo de governo digno de seu respeito, e este já será um passo para que ele vigore."
     O regime republicano protegido por leis nos leva a suportar os desmandos, ficamos atrelados  a um infindável número de parlamentares e senadores que nada sabem, nada veem a não ser os polpudos salários de cada mês.
     Disse muito bem o brasileiro Medeiros e Albuquerque: "Quando se acusa um partido reacionário de ser nefasto a qualquer país, em cuja direção ele está há muito tempo, a resposta que sempre aparece é a de comparação da situação do país, no momento que o partido assume o poder e no momento em que é feita a acusação." (Internet, Portal San Francisco, Presidencialismo e Parlamentarismo no Brasil). O ilustre brasileiro está se referindo a vontade inexistente de conduzir uma nação por partidos em qualquer país. O mesmo regime político que está dando certo em um país, não está em outro. O que falta a uma nação de homens de boa vontade, voltados para o progresso, pela igualdade entre os homens, salários igualitários e educação igualmente igualitária é a chamada vontade política.  
     Na guerra segundo Thoreau, os soldados são comparados talvez ou toda a engrenagem governamental "como máquina", entregando seus corpos." Assim prosseguem em guerras ora com vitnamitas, ora com países da Ásia Menor. Seus heróis são infindáveis soldados mutilados em cadeiras de rodas entre os enviados de cá e os combatentes de lá.  Exibem seus troféus e o povo assiste, como assite a um filme, que assim que termina a fita o seu herói não é mais lembrado. Assim escreve Gilberto Amado: "Perdido no volume das massas, apagado no corpo das coletividades, mesquinho, obscuro na grandeza e no brilho dos batalhões, insignificante no renome da pátria - ninguém se lembra dele, do pobre ser humano, ninguém se lembra dos indivíduos esmagados no choque dos batalhões aos milhares, como protozoários sob uma árvore que tomba ou destruídos na fúria de um ciclone." (Grão de Areia, p. 57)
     Em "A desobediência civil", refere-se aos impostos tributados nas "mercadorias estrangeiras trazidas a seus portos," produtos indispensáveis a ele e que sem dúvida o povo se torna escravo daquilo que não precisa, mas que como animais ao pasto, caminha em sua direção. Esta máquina que estrangula afirma que "devemos repudiá-la."
     Aqui no Brasil, devemos repudiar a onda de produtos contrabandiados que já são visto de maneira corriqueira, institucionalizada, fruto dos altos imposto taxados pelo governo para todo brasileiro que quizer investir em produção. A armazenagem compulsiva dos contrabandeados toma conta dos lares com os produtos sem finalidades com um destino cruel, a intoxicação do planeta.
     O foco narrativo de Thoreau, sobre a escravidão, que assolava o país, homens oriundos da África, eram negociados à porta do Senado e diz que a "massa dos homens é despreocupada" e aponta para a existência de "uma bondade absoluta em algum lugar, pois isso fermentará toda a massa informe." Diz que "em opinião as pessoas se opõem a escravidão e à guerra, mas nada fazem de fato para acabar com as duas; que, considerando-se filhos de Washington e Franklin, se sentam com as mãos nos bolsos dizem que nada sabem o que fazer  (...)
     Os filhos dos dois presidentes  que nada fazem vem de encontro ao despreparo. A preocupação política com o preparo de seu povo é insignificante e o acesso uma formação integral do cidadão fica restrito à poucos. Assim assistem aos desmandos sentados, mas contrariados, sem ação. A preocupação dos "mais preparados" é sem dúvida desenvolver o seu comércio ou tornar-se um proprietário de terras para o plantio, sem limites, destruíndo o que está pela frente.
     Aqui também temos os filhos de Vargas e de Kubitschek. O primeiro ficou no poder por 15 anos e chama de "arrumar a casa" ou seja, cria possibilidades de uma sustentação econômica através da agricultura alimentar e na indústria. Preocupa-se com as fronteiras e cria a "Marcha para o Oeste", com colônias agrícolas em terras do governo e até expulsa fazendeiros assentados nestas terras. Assim surge os minifúndios e ao mesmo tempo surge os coronéis em terras estratégicas que empurram os minifundiários com falsificação de documentos na chamada "grilagem de terra" ou também conhecido por "caxixe". Vendem a madeira e fazem a lavagem de dinheiro. Surge assim o nosso capitalismo com o lucro dos coronéis cercados de empregados mal pagos nas fazendas e o lucro  das indústrias de grande porte.
     Kubitschek, lança a campanha de fazer em cinco anos o que não foi feito em cinquênta. Rompe com o capitalismo e faz circular a entrada de capital estrangeiro, que por sua vez socorre a burguesia nacional e também para tirar o país da estagnação. Muda a capital para o centro do país com uma umidade do ar abaixo da média e abre um grande lago, o Paranoá, para melhorar a qualidade do ar, além das despesas com a construção da Novacap. Deixa uma dívida externa de mais de 3 bilhões de dólares batendo no coração de Brasília para o povo pagar através de impostos.
     A procura de uma bondade para Thoreau que fermente é a solução para o grande pensador. Lá encontramos americanos que com sua bondade deixaram registrados para sempre a sua marca, e nos dias de hoje podemos citar um herói de guerra, herói mutilado não pela guerra, mas pela prisão da justiça americana, por denunciar os horrores da guerra que participava. Bradley Manning está preso na base naval de Quântico, estva sendo mantido nu, acordado e sem comunicação, o que a CIA chama de "tortura sem contato"  (no-touch torture). O julgamento do passado e o julgamento nos dias de hoje ainda dizem respeito ao crescimento da nação, sob a égide da premissa custe o que custar e o julgamento do judiciário vem de encontro a política norte-americana e não na defresa do indivíduo. E isto, sem dúvida é um desastre quando o judiciário é submisso ao governo e não ao seu ideário.
     Às margens do lago Walden pode-se ouvir o eco da palavra pregada por Thoreau, museo a céu aberto, sem paredes e portas, livre como ele gostava de ser, refúgio para seus visitantes que aos milhares se emocinam ao pisar nas  palmilhadas terras e semeadas por ele, na humilde cabana habitada e na  inteligência ignorada pelos governantes que só viam a maldade, a escravidão e na obrigação com o imposto. Esta semente única, hoje é semeada  nas universidades, como era seu desejo, que apenas uma bondade surgisse, que o fermento crescesse e de certa forma atingisse um dia toda a humanidade com aquela compreensão necessária para se atingir um ideal de felicidade através da escolaridade, da cultura e no desencruzar dos braços. Diz Gilberto Amado: "Culto era Sócrates, preferindo beber cicuta a revogar, com qualquer habilidade ou modificações de linguagem, os compromissos tomados consigo mesmo. A cultura, a sabedoria o havia acostumado a viver uma vida bela e lhe ensinara a compreender o valor de uma bela morte. A cultura  lhe havia feito sentir que o sabor da vida  com a beleza perdida na renúncia pela  covardia seria amargo." (Estudos Brasileiros, p. 228). Minguém precisa beber cicuta. Thoreau era pacífico, inspirou Gandhi a libertar a Índia das garras da Inglaterra de maneira ordeira. Tólstoy escreve mais tarde, faz denúncias sobre os desmandos na Rússia em todos os aspectos, mas não insita a guerra. Com coragem e humildade, como fez anteriormente Thoreu, se mistura aos pobres, aos trabalhadores explorados e denuncia a tirania russa.
     A palavra de Thoreau: "Que se infrinja a lei" é a palavra do pensador quando a máquina governamental está sendo injusta e não evita o mal e assim a vida do ser humano que pode chegar ao fim antes que as regras do governo "produzam efeito." Quantas vidas são ceifadas no Brasil pelo péssimo atendimento à saúde de seus cidadãos? Quantas vidas são perdidas todos os dias com a violência urbana travada pela droga? Quantas crianças que deixam de estudar e encontram o caminho do crime? Estas crianças recebem seu primeiro diploma na cadeia assim que atinge a maioridade, diploma recebido  pela Escola do Crime.
     A atitude de Thoreau perante seu  protesto e a noite passada na prisão pelo não cumprimento da lei de cobrança de imposto assim se expressa: "Pois não importa o quão significante o começo possa parecer e o que é bem feito uma vez está feito para sempre (...)" e prossegue: "Se mil homens não pagassem imposto este ano, tal medida não seria tão violenta ou sangrenta quanto os pagar (...)" O conflito entre justiça e riqueza foi descrito onze anos antes de Karl Marx. "Em termos absolutos, quanto mais dinheiro, menos virtude, pois o dinheiro coloca-se entre um homem e seus objetos, e consegue-os por ele; e certamente não houve grande virtude em obter dinheiro (...) A melhor coisa que um homem pode fazer por sua cultura quando é rico é empenhar-se para por em prática os projetos que nutria quando era pobre (...)." Em Walden ele dedica o primeiro capítulo a Economia: "De um lado fica o palácio, do outro o asilo de mendigos e os pobres silenciosos. Os milhares que construíram as pirâmides para ser as tumbas dos Faraós recebiam alho para comer e talvez nem tenham recebido um enterro decente (...)" (p. 45)
     Marx,  refere-se ao trabalho de extração de minérios entre tantos, como sendo penoso, demorado e o diamante deveria ter seu preço não pelo valor da pedra em si, mas pelo trabalho em extrai-lo. Na hora da venda ele deveria ser bem pago pelo seu trabalho e em consequência a pedra valeria muito, assim a justiça seria feita e não haveria o distanciamento entre o rico e o pobre (escravo).
     A igreja anglicana era conhecida como religião vinculada  ao Estado, tanto que o hino nacional norte-americano foi por um certo tempo um canto religioso chamado Glória, glória aleluia (Vencendo vem Jesus), uma marcha de Battle Hymm. Destaco uns versos do hino:
        "Breve os reinos deste mundo.
         Seguirão as suas leis!
         Multidões já conquistou (o Cristo).
         Seu furor patenteou." 
     Aqui vê-se um Cristo impondo "as suas leis" que sem dúvida  os reinos (países) seguirão às suas leis. Seguir as leis está sendo motivo de guerra ditas cristãs. Quanto ao Cristo conquistar as multidões está dando um mau exemplo porque as multidões não se conquistam, não devemos sobrepor aos demais, esta multidão mais parece inimiga no combate, e patenteia o seu furor, fica registrado o seu furor àqueles que não respeitam a ideologia religiosa do outro. Um Cristo furioso, sem dúvida, que não leva a nada. Hino cantado nas igrejas norte-americana com fervor até os dias atuais.
     Thoreau protocolou na Prefeitura o desvinculamento da Igreja, deixou provas de que não era mais membro daquela instituição.
     Na prisão - "uma experiência inédita e rara para mim: aquela foi uma visão mais próxima da minha cidade natal. E eu estava justamente dentro dela. Nunca antes tinha visto suas instituições (...) Comecei a compreender como seus habitantes viviam (...)
     Dependendo de quem analiza a Constituição é muito boa (...), mas observando a partir de um ponto de vista um pouco mais elevado, eles são como os descrevi (...)
    Queria um Estado que fosse justo com todos os homens, que trate com respeito seus semelhantes, mas que ainda não encontrou em lugar algum.
     Concluo falando da humildade do pensador, que em momento algum desejou qualquer projeção. "Quando fui solto, na manhã seguinte, dei continuação minha pequena incumbência, após calçar os meus sapatos consertados, me reuni a um grupo que ia colher flores silvestres e desejava-me como guia: e em meia hora - pois logo recebi um cavalo arreado - estava no centro de um campo de mitrilos, em uma de nossas colinas mais altas três quilômetros de distância, e então já não conseguia ver o Estado em parte alguma." Pensando desta forma: "Não me nego a pagar o imposto por algum item em particular. Desejo simplesmente a negar a me submeter ao Estado, me afastar e manter-me à parte dele" e da colina repito "não conseguia ver o Estado em parte alguma.", mas apenas um desabafo feito na época em que morava em Walden, porque depois ele se volta ao Estado novamente e bate forte na Constituição norte-americana e no Judiciário.



    

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

MINHA AVÓ IGNÁCIA E O RUI BARBOSA

       Minha avó tinha um baú com algumas curiosidades, almanaques e um livro que eu tenho até hoje. Lia muito bem e dizia-me que estudar era uma "coisa" muito boa. Entre tantas histórias, contou-me uma do Rui Barbosa. Disse-me que o Dr. Rui tentou escrever um livro que seria a perfeição das perfeições. Já esgotado e muito irritado passava dias e dias com lápis  na mão, com uma montanha de papéis. Não trabalhava mais e a família passava fome. Descobri mais tarde que o livro se chamaria Tréplica.
      Baseado nessa história, imaginei ele dizendo o seguinte:
     __Estão me vendo como um fardola. O numerário já me falta. A fomitura já me abate. Carregue tudo isto daqui e não quero mais ver isto na minha frente. Preciso labutar.
     Saiu porta a fora a procura de trabalho. Passou em frente do armazém de secos e molhados e foi barrado pelo proprietário.
    O restante da história foi tirada do almanaque da vovó:
    __Dr. Rui preciso de uma consulta.
    __Pois não. Diga-me o que lhe aflige.
    __Tenho um cliente que me deve. Como devo fazer para cobrar esta dívida?
    Dr. Rui, com sua competência inigualável, explicou como ele deveria proceder.
     __O senhor, então, me deve 20 mil-réis de linguiça, já a algum tempo.
     __Engano seu, quem me deve é o senhor. Estou lhe cobrando 100 mil-réis pela consulta e o senhor tem que me dar 80 mil-réis de troco.
Assunto relacionado:
1 - Minha vó Ignácia e Santa Catarina de Sena
2 -Minha avó Inácia e o Rui Barbosa
3- Minha avó Inácia e os ladinos
4 - Minha avó Inácia e as bonequinhas dan;carinas
5 - Minha avó Inácia e o Mapinguari

domingo, 7 de setembro de 2014

PARAPSICOLOGIA - As plantas

                         
Desde muito jovem me interessei por metafísica, mas por mais que buscasse não encontrava uma explicação que me deixasse satisfeita. Mas afinal o que é metafísica? Buarque de Hollanda define como sendo uma "doutrina da essência das coisas". Que coisa são estas que os filósofos e matemáticos procuravam extrair essências? Definiam o que era um ponto, uma unidade, uma linha. Para entender o que é metafísica precisamos nos debruçar em Epicuro, em Platão e tantos outros.  A poesia no século XVIII, na Inglaterra, chamada de Idade da Sensibilidade ou a Idade da Razão aparece a reflexão com uma abordagem racional e cintífica envolvendo alumas coisas. Metafísica pode ser razão pura sendo dita em verso e dela pode se extrair uma doutrina. E foi exatamente isto que eles fizeram, mudaram pensamentos com suas idéias.  Charles Darwin, autor da teoria da evolução das espécies que analisou o comportamento das plantas e encontrou nelas "algum tipo de sistema nervoso" e um outro cientista indiano afirmava mais tarde que elas possuiam um sistema sensorial até certo ponto comparável a dos animais. Numa região fria,  arenosa e estéril nas terras altas da Escócia, na costa do Mar do Norte, Peter Caddy e alguns amigos em 1962 iniciaram uma horta no lugar denominado Findhorn, que veio surpreender o mundo. Em 1976, na revista Planeta, Cleve Backster confessou numa entrevista: "Em solo absolutamente inadequado, estão fazendo crescer uma pequena floresta virgem. O grupo de pessoas que vive em Findhorn afirma estar em comunicação com o mundo vegetal. Não sei se isso é verdade, mas fiquei impressionado com elevado grau de introspecção espiritual daquela gente." Concluo que a paranormalidade de certas pessoas através de "desenvolvimento mental", leva as pessoas para um terreno extra-físico e não apenas um esforço filosófico para pensar com clareza. A metafísica tem como trabalho fazer entender certas coisas. Compreendi o que é metafísica e se ainda preciso explicar alguma coisa não entendida, eu sou um "metafísico".

Bibliografia: A parapsicologia aplicada (O MUNDO DO PARANORMAL)
MARCADOR: Parapsicologia e as plantas