quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

MONANGAMBÉ - Rui Mingas




                      "O café vai ser torrado,
                                pisado, torturado
                                     vai ficar negro,
                                            negro da cor do contratado."

                                                                                                             António Jacinto

       Em 1485 aportou em Angola, o português, Diogo Cão e lá encontrou tribos africanas de nome banto (os bantu). Somente em 1569 Paulo Dias Novais, também português, propôs a tomada de posse daquelas terras. Em 1574 foi criada a Capitania de Angola e em 1576 a primeira vila chamada Luanda. Eram de lá que os portugueses traziam os escravos para o Brasil. Foi criado em Angola um empório, local onde se fazia o comércio de escravos que pegados à força pelos portugueses eram colocados em porões dos navios. Muitos morriam na viagem de banzo, uma doença que se abatia no banto pela tristeza, pela fome e a saudade da vida primitiva que levava em suas terras. Os holandeses que ocupavam o nordeste brasileiro/Recife, foram em expedição buscar escravos em Angola para o trabalho escravo em Pernambuco. Com a expulsão dos holandeses e também expulsos de Angola, esta era administrada diretamente do Brasil mais precisamente da Bahia e Rio de Janeiro. Com independência do Brasil, Portugal assumiu a colônia diretamente. A partir de 1970 criou-se um movimento de luta armada para a independência, em Angola. Não foi fácil pela resistência dos portugueses e a guerrilha durou aproximadamente dez anos. Em 1979 assumiu o primeiro presidente nomeado, José Eduardo dos Santos. (Delta Larrousse, Volume I).
     Quando ainda colônia plantavam o café, milho, cacau, algodão que em forma de trabalho escravo carregavam os navios atracados no porto em direção a Europa. Pela escravidão que durou séculos os angolanos foram prejudicados de maneira geral. Ficaram muitos sem escolas e ainda hoje o sistema de saúde é um dos mais precários do mundo. Em 1999 foram registrados quase 700 casos de poliomelite com 41 mortes. Estas crianças não foram vacinadas ou receberam doses incompletas das vacinas. As condições de higiene são precárias, as condições sanitárias deficientes e água contaminada, ainda fruto das guerrilhas internas.
      A poesia de António Jacinto mostra como era o trabalho do escravo angolano. Plantava o café e não tinha água.  Angola pelas proximidades do deserto da Naníbia sofre com períodos de secas e escassez de alimentos e água. O dinheiro recebido só dava para comprar uva podre, peixe podre e pano ruim. Aqui são as vestes dos escravos comparadas com as dos senhores das fazendas. As capinas, os laranjais, a plantação de milho fazia o branco ficar barrigudo e possuidor de carros. A poesia tem como tema o trabalho escravo que mesmo depois da indepêndencia continua escravo. É uma situação criada por aqueles que prosperaram, mesmo sendo angolanos levam os mais fracos ao trabalho escravos ou mal pagos. A palavra Monangambé tem origem no povo banto com sotaque francês e sem uma tradução para o português. Em 1970 quando criou-se o movimento pró-independência, os bantos eram avisados que iria haver Monangambé, que significava chamamento ou reunião. Entre línguas e dialetos aprenderam o português e francês. Rui Mingas quando canta pronuncia  Monangambé (circunflexo), como no francês, aqui nos temos a palavra candomblé também de etnia do povo de Angola, pronunciada  com som (agudo), como no português. António Jacinto Amaral Martins, nasceu em Golungo Alto, em Angola, lutou pela independência e participou das frentes militares. Foi preso. Foi Ministro da Educação e Cultura em Angola e faleceu em 1991, em Portugal.

OBS: Na época da narrativa desta  pequena crônica  sobre a letra de Rui Mingas denominada Monangambé, em janeiro de 2012 não havia nenhum dado ainda na Internet sobre Angola e apenas consultei a Enciclopédia Delta Larrousse que neste momento não estou de posse para uma simples conferência de datas. A procura imensa sobre Angola e Rui Mingas, fez deste comentário um dos mais lidos entre os 353 escritos aqui neste blog. Parabéns a Wikipédia pela História da Guerra da Indepedência deste país, agora editada, um recurso a mais: "Em meados dos anos 1920 estava alcançado um domínio integral do território, muito embora houvesse ainda em 1941 um breve surto de "resistência primária", da parte da etnia Vakuval nota 3 . Embora lento, este esforço de ocupação não deixou, porém, de provocar novas dinâmicas sociais, económicas e políticas nota 4 . 
        Em Camões, podemos encontrar na obra poética "Os Lusíadas" as navegações e as resistências nas colônias portuguesas pelos habitantes da costa Africana, que como exilado lá permaneu por 17 anos, só voltando para Portugal em 1570. Assim começa a História da Independência de um povo, no momento em que se seu espaço é invadido e escravizado.  (31/05/14).




7 comentários:

  1. Correcções:
    * A independência de Angola deu-se a 11 de Novembro de 1975
    * O primeiro presidente de Angola foi António Agostinho Neto, foi ele quem proclamou a independência.
    * José Eduardo dos Santos, substituiu Agostinho Neto na presidência de Angola após a morte deste por doença em 1979

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  2. Abel, sou grata pela complementação da minha pesquisa, não constei a data da independêcia por não encontrá-la na época, apenas a data do movimento pró-independência. Qualquer acréscimo será bem vindo. Um abraço

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  3. Minha cara senhora,

    acidentalmente vim parar seu blogue e a este texto

    Há nele alguns erros e muitas imprecisões. O sentimento independentista começou a crescer em Angola, tal como por todas as colónias em África e na Indochina, com o término da 2ª Grande Guerra.

    A UPA de Holden Roberto, deu início à Guerra Colonial. A partir de bases no Congo, lançou violentíssimos e sanguinários ataques às fazendas do café no Norte. Ao drogado tribalismo bacongo e à sua fúria assassina, nem os pretos da casa e os contratados conseguiram escapar. Foi tanto o terror infligido que lhes chamaram ... terroristas ("turras").

    Os historiadores do MPLA estabeleceram como início da luta armada em Angola, o dia em que o Movimento atacou uma esquadra de polícia em Luanda, em 4 de Fevereiro de 1961.

    Poderá ainda pesquisar ... PDA; FNLA; UNITA.

    Cumprimentos









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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. artnis A crônica se for longa passa ter outro nome. No momento da minha narrativa o meu objetivo não era a Segunda Guerra e nem tão pouco chegar a Indochina, embora se o fizer narrarei somente sobre ela como faço nos meus escritos. O objeto em questão, a data do início de 1970, quando criou-se o movimento pró-independência, fica estabelecido o critério pesquisa. Serei sempre grata por todas as contribuições e lamento ter encontrado tantos erros em tão pequena crônica neste meu modesto blog.

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  6. No dia 15 de Março de 1961, ao alvorecer, sob a bandeira da União das Populações de Angola (UPA), a violência irrompeu de modo bárbaro tribal dos bacongos promovendo um massacre ou orgia de sangue de populações brancas e negras, sobretudo de outras etnias de Angola, especialmente bailundos, causando centenas de mortos nos distritos de Luanda, Cuanza-Norte e Congo, no que se chamou a Zona Sublevada do Norte. Os gritos de "Mata! Mata! UPA! UPA!", ecoaram por todo o Norte de Angola.
    Munidos de "catanas e armas de fogo rudimentar”, revoltosos assassinos do mais baixo nível os apelidados turras "assaltam povoações e fazendas", em regiões de acesso difícil.
    O 15 de Março de 1961 ultrapassou em ferocidade tu-do quanto é lícito supor: homens, mulheres e crianças esquar-tejados, queimados e serrados vivos; filhos mortos perante os pais, mulheres mortas diante dos maridos, etc, etc. Colunas armadas foram montadas para socorrer e resgatar populações civis, mas mulheres sobreviventes, muitas delas, recusaram-se a serem evacuadas preferindo ficar ao lado dos maridos querendo também pegar nas armas.
    O número de mortos está longe de ser consensual, mas as estimativas mais referidas apontam que devem ter sido assassinados mais de 300 europeus na área de Nambuangongo, outros tantos do Dange ao Quitexe, talvez uns 200 junto à fronteira, no distrito do Congo e milhares de trabalhadores africanos. O Jornal “O Seculo” de Portugal noticiou um total de 800 mortos brancos só nas chacinas de 15 e 16 de Março

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    1. Muito obrigada Luis.M.Soares pela contribuição, assim vamos completando a História de Angola, com a contribuição, sem esquecer de Rui Mingas, o início da minha modesta crônica.

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