domingo, 5 de junho de 2011

LIVRO DE MATEMÁTICA DO MEC COM ERROS E O HOMEM QUE CALCULAVA

     Escritor brasileiro que inicou sua carreira com o seu próprio nome, Júlio Cézar de Mello e Souza, sem sucesso. Mudou a sua história como escritor trocando suas origens com o pseudônimo de Malba Tahan, um árabe. Escreve o "O homem que calculava" em 1939 entre tantos outros.
     Esta semana comenta-se que mais um livro errado está sendo distribuído pelo MEC, num total 200 mil perfazendo um custo de 14 milhões. É um livro de matemática que no meio de outros erros existe um cálculo de subtração em que 10-7= 4. Será que Haddad foi aluno de Malba Tahan?
     Um dos títulos do livro de Malba Tahan chama-se "Os quatro quatros". Diz o protagonista:
     "_ Repare que a soma de 12, dividido por 4, dá quociente 3. Eis, portanto, o 3 formando quatro quatros.
      _ E como vai formar o próprio número 4? Pergunta.
      _ Nada mais simples - explica Beremiz (o protagonista). O 4 pode ser formado de várias maneiras.
                  Eis uma expressão equivalente ao 4:
                                          
                                      4+ 4-4 
                                             4
     _ Observe que a segunda parcela 4-4 sobre 4, é nula e que a soma fica igual a 4. A expressão escrita equivale 4+0, ou 4." Segue o nosso narrador brincando, calculando mais um pouco com número 4. 
        Num outro capítulo entre tantos interessantísimos, porém muito longos encontrei um parecido com o cálculo matemático explicado pelo "nosso" ministro Palocci sobre a multiplicação do seu patrimônio em tão pouco tempo, também provável aluno do narrador. Chama-se "O problema dos 50 dinares."
                           Resumindo:
          Mercador
       "Pelo que acabo de ouvir o senhor é exímio matemático, nas contas e nos cálculos. Dar-lhe-ei de presente o belo turbante azul se o senhor explicar certo mistério encontrado numa soma, que a dois anos me tortura o espírito." Narrou o seguinte:
     "Emprestei certa vez a quantia  de 100 dinares, sendo 50 a um cheique de Medina e outro 50 a um judeu do Cairo."

      O medina pagou a dívida em 4 parcelas, assim:
      Pagou 20      ficou devendo 30
      Pagou 15      ficou devendo 15
      Pagou 10      ficou devendo   5
      Pagou   5      ficou devendo   0
      Soma  50      Soma                50  
      
 O cairota me pagou os 50 dinares em 4 parcelas, assim:

     Pagou 20      ficou devendo 30
     Pagou 18      ficou devendo 12
     Pagou   3      ficou devendo   9
     Pagou   9      ficou devendo   0
     Soma  50      Soma               51

     Existe a diferença de 1. Não fui prejudicado, diz o mercador. O que deu errado?
                     Explica o calculista:
     "Nas contas de pagamento, os saldos devedores não tem relação alguma com o total da dívida. Admitimos que uma dívida  de 50 dinares fosse paga em 3 prestações:"

      A primeira de 10        ficou devendo 40
      A segunda de   5        ficou devendo 35
      A terceira de  35        ficou devendo   0
      Soma              50        Soma               75
            
       Explica o calculista:
     "A primeira soma é 50 ao passo que a segunda soma é 75, mas podia ser 80, 90, 100, 260 e 800, ou qualquer número. O mercador entendeu tudo e deu de presente o turbante azul que valia 4 dinares."
     Senhor ministro Palocci, os brasileiros também entenderam tudo. Principalmente aqueles, que já tinham lido o  inteligentíssimo escritor, indicado para a meninada e para qualquer idade. Tanto para Haddad e Palocci, que não merecem o nosso respeito, Ministério Público para eles. Confira esta bela obra de Malba Tahan e fique com uma frase dele: "É preciso desconfiar sete vezes do cálculo, e cem vezes do calculista."