quinta-feira, 26 de maio de 2011

CARTILHA DO MEC COM ERROS DE PORTUGUÊS

    Já dizia Tólstoy por volta de 1877 em seu livro Anna Karenina: "_ Ilustrado um mujique torna-se muito pior trabalhador". O narrador alertava a sociedade russa sobre a precariedade do ensino. Os burgueses ilustrados falavam além do russo , o alemão, o francês e tantos idiomas que por lá circulavam  que eles tinham contato. O que era bom para os ricos não era bom para os pobres. Os camponeses não deveriam ir para a escola para não fazer exigências aos patrões.
    Agora o nosso Ministro da Educação, Fernand Haddad, formado em Direito, Filosofia e tantos outros, quer que uma cartilha com erros ou com uma forma de escrita "nova", ou seja uma linguagem popular, circule nas escolas públicas. Não acredito que o nosso filósofo esteja pensando desta forma? Para que serve a filosofia? E o direito, então? Está na hora de se entrar na justiça e empedir que esta cartilha circule.
     Esta decisão do MEC me fez lembrar o título de um livro que tenho nas minhas estantes. Chama-se Tomorrow's Ghost (O fantasma de amanhã) escrito pelo inglês Anthony Price. Apenas uma frase de Price: "Azar é exatamente o que o outro lado deseja de você". A cartilha do MEC é o fantasma que ronda as escolas públicas. Conhecendo bem como conheço os professores está cartilha vai se dar mal. Professor que aprendeu a escrever e falar certo não vai conseguir ensinar um erro para o aluno.
     Em Princípios de Linguística de Mattoso Câmara Jr, este fala sobre coerência na língua, ou seja, tem que haver conformidade, claridade e ser racional. Diz Mattoso: "evolução, em linguística pressupõe apenas um processo de mudanças "graduais e coerentes".
      Ele cita Sapir, linguísta norte-americano: "quase não sentimos a diferença de natureza entre andar e falar". Continua Sapir: "a fala é uma aquisição social, como é a linguagem". Que lindo esta aquisição social vinda da escola e da família de geração em geração. Aquisição certa e não errada como quer o MEC.
      Em Curso de Linguística Geral de Ferdinand Saussure, genebriano, mas radicado na França, considerado o pai da linguística, este gênio, ensina sobre a utilidade desta: "...as questões linguísticas interessam a todos_hitoriadores, filólogos, etc _ que tenham de manejar textos. Mais evidente ainda é a sua importância para a cultura geral: na vida dos indivíduos e das sociedades, a língua  constitui fator mais importante que qualquer outro. Seria inadmissível que seu estudo se tornasse exclusivo de alguns especialistas." Saussure continua e fala da tarefa do linguísta que tem que estar atento: "antes de tudo, denunciá-los e dissipá-los tão completamente quanto possível." Saussure é completo e o Ministro iria ter dificuldades para entender signo, significado e significante. Teria que se debruçar, horas, dias  para entender as "paroles do homem" ou a "language que deve ser aplicada nas escolas", a complexidade do assunto, mas nunca é tarde para se aprender, por este motivo eu peço que confira o Senhor mesmo. Livro recomendado para todo estudante de Letras e Filosofia.

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